Perante desafios transnacionais urgentes, como as alterações climáticas, a migração e deslocação forçada e a insegurança energética, uma equipa de investigação internacional está a conduzir o projeto TRACHMED – Exploring Transnational Challenges: Climate Change, Migration, and Energy Insecurity in the Mediterranean (Exploração dos desafios transnacionais: alterações climáticas, migração e insegurança energética no Mediterrâneo, em língua portuguesa).
O projeto, liderado pela Universidade de Marmara (Marmara University) e que conta com a participação da Universidade de Coimbra (UC), é financiado com mais de um milhão de euros (1 150 000, mais precisamente) pela Comissão Europeia, através das Ações Marie Skłodowska-Curie. Junta instituições de dez países: Alemanha, Argélia, Espanha, França, Grécia, Irlanda, Itália, Marrocos, Portugal e Turquia.
Tendo como território de estudo o Mediterrâneo, este projeto “é particularmente pertinente e importante no contexto atual, pois os desafios transnacionais associados às questões climáticas, energéticas e migratórias são questões urgentes à escala global, que transcendem as fronteiras nacionais e desafiam soluções unilaterais, na medida em que os esforços multilaterais continuam fragmentados e os esforços regionais raramente dão frutos”, contextualiza a docente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), Daniela Nascimento, que coordena o projeto em Portugal.
Perante este contexto, o TRACHMED pretende criar uma rede regional de investigadores e instituições em torno do Mediterrâneo, que possa criar novas colaborações entre países. Daniela Nascimento explica que esta ação é fundamental para “reforçar a capacidade de investigação e informar políticas relevantes da União Europeia e os decisores internacionais nas áreas das alterações climáticas, migração e deslocação forçada e insegurança energética”.
Como sublinha a especialista em relações internacionais, atualmente “as respostas aos desafios transnacionais nestes domínios são insuficientes, porque tendem a priorizar a gestão e contenção de crises sobre a transformação das causas estruturais, refletindo as assimetrias de poder globais e a falta de coordenação multilateral efetiva em matérias relacionadas com as dinâmicas migratórias, com as múltiplas ameaças à segurança e com a sempre contestada gestão partilhada de recursos energéticos”.
“Os desafios transnacionais que afetam, em particular, o Mediterrâneo não podem ser compreendidos e respondidos de forma eficaz sem uma visão global e articulada centrada na cooperação, colaboração e coordenação a vários níveis e entre diferentes atores direta ou indiretamente envolvidos nesta região e com impacto nas áreas em estudo”, acrescenta.
Na Universidade de Coimbra, participam também no projeto Licínia Simão, Maria Raquel Freire e Paula Duarte Lopes, docentes do Núcleo de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
