Portugal está a assistir a uma mudança silenciosa, mas estrutural, na forma como as famílias procuram respostas para o desenvolvimento dos seus filhos. Em 2025, a procura por serviços de intervenção pediátrica especializada cresceu, revelando não apenas maior consciencialização parental, mas também insuficiências graves na resposta pública e escolar em momentos críticos do desenvolvimento infantil.
É este o cenário traçado pela Saluslive, centro pediátrico de referência nacional, que realizou mais de 300 avaliações clínicas ao longo de 2025, das quais 190 evoluíram para acompanhamento continuado — um indicador claro de necessidades reais, persistentes e não resolvidas numa única consulta.
Hidroterapia dispara 80%: quando a inovação supre o que o sistema não alcança
A hidroterapia pediátrica foi a área com maior crescimento no último ano, com um aumento de 80% face a 2024. Este salto expressivo não é uma tendência de moda, mas sim o reflexo de famílias que procuram respostas eficazes, precoces e integradas, muitas vezes após meses de espera por soluções no sistema público.
“Estamos a falar de intervenções que fazem a diferença quando feitas cedo — e que perdem impacto quando chegam tarde”, sublinha Raquel Cunha, Diretora Clínica da Saluslive. “Cada mês conta. Em bebés e crianças pequenas, o tempo é um fator clínico decisivo.”
Bebés cada vez mais cedo nos cuidados especializados: um sinal de alerta
Um dos dados mais reveladores de 2025 foi o aumento significativo da procura por Fisioterapia Pediátrica e Terapia da Fala em bebés até aos 12 meses. As principais causas incluem dificuldades na amamentação, torcicolos, assimetrias cranianas e atrasos no desenvolvimento motor.
Este movimento traduz uma maior literacia parental, mas também levanta uma questão estrutural: porque chegam tantas famílias fora do circuito público?
“Quando os pais procuram ajuda especializada nos primeiros meses de vida, é porque detetaram algum problema que exige uma resposta urgente, rápida e eficaz”, alerta a responsável clínica.
Novas especialidades para evitar percursos fragmentados
Perante este cenário, a Saluslive reforçou em 2025 a sua resposta clínica com a integração de Pedopsiquiatria, Pediatria do Desenvolvimento, Neuropediatria e Odontopediatria, concentrando num único espaço respostas que, no sistema tradicional, obrigam a múltiplos encaminhamentos e longos tempos de espera.
O modelo aposta numa lógica clara: menos burocracia, mais coordenação clínica e decisões mais rápidas, centradas na criança e no contexto familiar.
Listas de espera no SNS e escolas sem respostas: a urgência de intervenção precoce
Num contexto de listas de espera prolongadas no SNS e de respostas limitadas nas escolas, sobretudo no acesso a terapias especializadas, a Saluslive tornou-se em 2025 uma alternativa imediata para centenas de famílias.
As avaliações clínicas foram realizadas em menos de uma semana, permitindo decisões terapêuticas num período crítico do desenvolvimento infantil — algo que, segundo especialistas, pode significar a diferença entre prevenir ou perpetuar dificuldades futuras.
Além disso, o serviço de apoio em contexto educativo tem sido a única alternativa disponível para muitas famílias, perante falta de recursos adequados nas escolas, permitindo-lhes garantir a participação ativa dos filhos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) na vida escolar e potenciar as suas aprendizagens.
MATERNUS: Parentalidade acompanhada para evitar problemas futuros
A área Maternus, dedicada ao acompanhamento materno-infantil, registou a adesão de mais 50 famílias em 2025, reforçando a importância do apoio estruturado durante a gravidez, pós-parto e primeiros meses de vida do bebé.
A aposta é clara: prevenir hoje para não tratar tarde demais amanhã.
2026: Mais equipas, mais precoce, mais integrado
Para 2026, a Saluslive prevê o reforço das equipas especializadas e da intervenção precoce em bebés até aos 12 meses, com especial foco em hidroterapia, osteopatia pediátrica, amamentação e apoio à parentalidade.
“Este crescimento é uma consequência direta de necessidades reais das famílias e de um sistema que ainda não responde a tempo”, conclui Raquel Cunha.
