Realizou-se em Guimarães uma reunião de Quadros do PCP com a participação de Paulo Raimundo, Secretário-Geral. O encontro abordou a situação resultante da 1ª voltas das eleições para Presidente da República, a situação social do País e as tarefas imediatas que se colocam à intervenção da organização partidária.
Coube ao Secretário-Geral do PCP realizar as intervenções de abertura e encerramento, possibilitando a realização de um conjunto muito alargado de intervenções de membros de organismos do PCP na região, das quais constaram a partilha de preocupações sobre o momento actual, experiências de intervenção política, institucional e social, assim como considerações sobre a importância de prosseguir e a intervenção em defesa dos direitos previstos da Constituição de República.
Paulo Raimundo afirmou que “O resultado obtido pela candidatura de António Filipe ficou aquém do valor, do entusiasmo e apoio que se registou ao longo de toda a campanha. Um resultado que foi, no entanto, conquistado a pulso, enfrentando o apagamento, o tratamento desigual, comentadores e sondagens, que tudo apostaram na chantagem e promoção do medo, quanto à opção de voto. Não andaremos longe da verdade se afirmar-mos que, perante a sistemática apresentação de cenários que davam como certa a disputa na segunda volta entre duas candidaturas reaccionárias, muitos eleitores foram conduzidos a votar, não por convicção, mas por medo”.
A seguir acrescentou “Com a passagem à segunda volta das candidaturas de António José Seguro e de André Ventura é certo que os compromissos com a política de direita não serão afastados do exercício das funções presidenciais. Mas isso não significa que o desfecho destas eleições seja indiferente, pelo contrário. Mais do que assistir, é preciso intervir para assegurar a derrota da candidatura de André Ventura e dos objectivos e ambições das forças mais reaccionárias e retrógradas no nosso País. Na segunda volta é preciso derrotar quem, para lá do comprometimento com a política de direita e de partilha com muitas das opções do actual Governo, assume uma agenda ditada por critérios e concepções reaccionárias, retrógradas e antidemocráticas, de confronto com a Constituição da República. Para impedir que André Ventura seja eleito Presidente da República é necessário derrotar a sua candidatura e o único voto possível para a derrotar é o voto na candidatura de António José Seguro”.
O Secretário-Geral do PCP foi categórico “Com Ventura na Presidência da República, tudo o que está mau, ficaria ainda pior. A mudança que Ventura quer é a de um regresso a um passado de pobreza, exploração e violência sobre os trabalhadores, as mulheres, os democratas e patriotas”.
No encerramento da reunião, Paulo Raimundo referiu “A derrota de Ventura e da extrema-direita nas eleições de 8 de Fevereiro, objectivo que assumimos sem hesitações não garantem, por si só a mudança que o País precisa. Se é urgente derrotar a candidatura de André Ventura, mais urgente é dar ainda mais força à luta contra a exploração e as injustiças, desde logo contra o Pacote Laboral, contra a acção destruídora deste governo e contra a política de direita, protagonizada seja porque partido for.
E acrescentou “A mudança que o País precisa, a ruptura com a política de direita e a construção de uma alternativa patriótica e de esquerda, reclama que se intensifique e alargue ainda mais a luta dos trabalhadores e do Povo. Tem particular importância o desenvolvimento da luta dos trabalhadores em torno dos seus problemas concretos, das suas aspirações e reivindicações”
Sobre o Pacote Laboral, Paulo Raimundo reiterou “Fica aqui este desafio: PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, os donos do pacote laboral, marquem um dia para os trabalhadores estarem na rua a apoiar o pacote laboral. Marquem a manifestação de apoio ao pacote laboral, que eu quero ver o que é que lhes vai acontecer”.
