Vila Verde

Lenço de Namorados provoca alunos e docentes do IPCA para design ativista sobre o amor

A Biblioteca Municipal Prof. Machado Vilela, em Vila Verde, inaugura este sábado a exposição “Bordando Inquietudes: do amor romântico ao design ativista”. Trata-se de uma iniciativa que resulta de um trabalho que juntou professores e alunos do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA).

Sob coordenação dos docentes Suzana Dias e Manuel Granja, o projeto concretizou-se na criação de uma campanha de sensibilização social de carácter ativista, na qual os Lenços de Namorados assumem um papel central de inspiração para “esta mostra extraordinária, simultaneamente bela e inquietante”.

Na concretização dos trabalhos, o grupo esclarece que “os Lenços de Namorados foram interrogados enquanto objeto cultural vivo, sendo convocados para dialogar com problemáticas sociais atuais relacionadas com o amor, ou falta dele”.

A proposta foi implementada no 1.º ano da Licenciatura em Design Gráfico (diurno e pós-laboral), da Escola Superior de Design, no âmbito da unidade curricular Metodologia do Design Gráfico II (2.º semestre, 2024/2025), coordenada pelos docentes Suzana Dias e Manuel Granja e com a intervenção da Designer Miriam Zanini.

“Bordando inquietudes: do amor romântico ao design ativista” é o resultado desse percurso, que vai ser exposto na Biblioteca em Vila Verde. A inauguração está agendada para as 21h00 de sábado, numa sessão que inclui o lançamento do respetivo catálogo e uma noite de reflexão e debate.

A iniciativa integra ainda uma vertente pedagógica, materializada numa palestra da investigadora Miriam Zanini e numa mesa-redonda, sob o título: “Do território à sala de aula: quando a tradição ativa o pensamento crítico na educação — o caso dos Lenços de Vila Verde”.

A sessão pública visa aprofundar a reflexão sobre a relevância de levar o território e as tradições para a sala de aula, enquanto estímulos ao pensamento crítico, criativo e à inovação pedagógica. Esta iniciativa quer afirmar-se como um ato cultural partilhado e não como um exercício fechado sobre si mesmo.

Como explicitam os docentes Suzana Dias e Manuel Granja, este é o resultado do desafio de “ensinar design a partir do território”.

Como referem os coordenadores do projeto, “comunicar é também perturbar, deslocar o olhar, obrigar à pergunta: o que fazemos hoje com aquilo que herdámos? Falar de amor através do design não é um exercício decorativo. Os estudantes entraram num território de tensão entre tradição e contemporaneidade, entre afeto e crítica, entre identidade herdada e identidade em construção”.

A proposta pedagógica, que está na origem desta exposição, assume o design como prática crítica, enraizada na consciência patrimonial, na ação e na intervenção no território.

Deixe um comentário