No interior de uma prisão, onde o tempo se repete e a palavra tantas vezes se cala, há um lugar inesperado para o encontro: no próximo dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, o dstgroup leva ao Estabelecimento Prisional de Guimarães a segunda edição das Consultas Poéticas, uma iniciativa que transforma a arte num gesto íntimo de escuta, dignidade e esperança.
Após uma primeira edição marcante, esta iniciativa regressa a um contexto particularmente desafiante, onde a arte assume um papel essencial como ferramenta de expressão, reflexão e humanização. No total, cerca de 75 reclusos participaram nesta experiência, num momento que se destacou pela forte adesão e pelo impacto gerado junto dos participantes.
“Não devemos descansar da poesia como a ferramenta de recuperação espiritual e como a chave que abre a porta da esperança para que a vida possa melhorar. A poesia cumpre essa função de homeostasia íntima e desafia cada um para a passagem do umbral da vida boa”, realça José Teixeira, presidente do dstgroup.
Desenvolvido em parceria com a Associação Paisagem Periférica, o projeto propõe encontros individuais entre artistas e reclusos, onde cada história é acolhida sem julgamento e cada silêncio encontra espaço para se expressar, criando um território raro de escuta interessada e partilha.
Através de sessões individuais, com duração de cerca de 25 minutos, as Consultas Poéticas criam um espaço de escuta ativa e diálogo, onde cada participante é convidado a partilhar, refletir e, sobretudo, a ser ouvido. No final, cada “paciente-espectador” recebe uma prescrição poética, pensada de forma única e personalizada.
A edição deste ano decorre entre as 09h30 e as 16h30 e contará com cinco artistas de diferentes disciplinas, do teatro, à música, mas também à dança, que irão conduzir sessões ao longo do dia numa abordagem profundamente personalizada.
“Um ano após a primeira intervenção, as Consultas Poéticas regressam ao Estabelecimento Prisional de Guimarães. Este regresso afirma a importância da presença e da escuta como matéria essencial do teatro. Em cada consulta, a palavra torna-se um espaço de partilha e escuta, onde a experiência poética se revela no encontro”, reforça Manuela Ferreira, diretora artística da iniciativa e presidente da Associação Paisagem Periférica.
Também Augusto Urjais, Diretor do Estabelecimento Prisional de Guimarães, destaca o impacto da iniciativa: “A experiência do ano passado deixou marcas invisíveis, mas profundas: vozes que se abriram, esperança que voltou a respirar. Deixou, acima de tudo, memórias, boas memórias e experiências lindas. Porque a arte não reconhece muros. E ninguém fica de fora da criação”.
Esta ação integra a visão do dstgroup de apoiar a cultura como um território vivo de intervenção social, onde a arte não se limita a representar o mundo e participa ativamente na sua transformação. De ressalvar que as Consultas Poéticas são um formato que o dstgroup tem vindo a promover em diferentes contextos dado o impacto positivo gerado, nomeadamente no Centro de Acolhimento Temporário da Cruz Vermelha de Braga que também já soma duas edições e que tem impactado dezenas de pessoas em situação de sem abrigo.
A continuidade desta iniciativa traduz não só o seu sucesso, mas também a convicção de que a cultura pode desempenhar um papel ativo na construção de comunidades mais conscientes, inclusivas e resilientes.
Ao regressar ao Estabelecimento Prisional de Guimarães, o dstgroup reforça o seu compromisso com uma intervenção cultural que não se limita à programação artística, mas que se afirma como um verdadeiro instrumento de transformação social.
