Amares

Designer amarense Sylvie Castro cria imagem Pascal para mais de 30 paróquias em Montalegre

Desta vez, já não se trata apenas de criar para a cidade de Braga ou concelho de Amares, como tem sido habitual. Trata-se da Diocese de Vila Real, onde cinco párocos reconheceram no trabalho da artista amarense, Sylvie Castro, a mensagem que tanto procuravam, mas que ainda não tinham encontrado. “Nesse sentido — e em tantos outros — sinto-me profundamente privilegiada por se identificarem com a minha representação artística”, refere a artista.

Uma nova aguarela pascal foi criada, marcada pela intensidade espiritual e simbólica. Surge, assim, este ano como novidade no panorama artístico ao serviço da Igreja, alargando o alcance de um percurso que se tem vindo a afirmar pela sua profundidade e sensibilidade.

Pela primeira vez, o desafio foi lançado pelo Padre Flávio Nunes, que confiou à artista a criação de uma imagem pascal inspirada na figura de Tomé — o discípulo que, perante a dúvida, procura tocar na chaga de Jesus Cristo para reconhecer n’Ele o Ressuscitado. O texto de inspiração, partilhado pelo pároco, revelou-se central no processo criativo, conduzindo a uma obra profundamente ligada ao tema da fé vivida entre a dúvida e o encontro.

A aguarela apresenta “um momento de grande intimidade e revelação: o encontro entre Cristo Ressuscitado e Tomé. A composição destaca o gesto, o olhar e a proximidade entre as figuras, envolvidas por uma explosão de cor e luz que sugere a transcendência do momento. Os tons vibrantes, em contraste com áreas mais suaves e etéreas, reforçam a passagem da incerteza à fé, num diálogo visual de forte carga espiritual”.

A artista assume ter abraçado este trabalho “com fé, amor e um profundo sentido de responsabilidade”, reconhecendo também o orgulho por ver a sua obra acolhida num contexto tão alargado.

Esta criação não se destina apenas às sete comunidades do concelho de Montalegre — Cabril, Contim, Covelo do Gerês, Ferral, Fiães do Rio, Paradela do Rio e Venda Nova — integradas no Arciprestado da Terra Fria, na Diocese de Vila Real.

De forma inédita, a imagem pascal será também partilhada por várias outras comunidades paroquiais, através de diferentes párocos que se associaram a esta iniciativa. Entre eles: Padre Alberto de Carvalho Martins, com responsabilidade pastoral em Pitões das Júnias, Tourém, Viade, Covelães, Outeiro, Cambeses do Rio e Sezelhe; Padre Vítor Manuel de Sousa Pereira, nas paróquias de Cervos, Donões, Meixedo, Montalegre, Mourilhe e Sarraquinhos; Padre Pedro Rei Alves, nas comunidades de Cerdedo, Pondras, Reigoso, Salto e Vila da Ponte; e Padre João Batista Branco Alves, nas paróquias de Gralhas, Morgade, Negrões, Padornelos, Padroso e São Vicente da Chã.

“Esta ampla adesão sublinha a força comunicativa da obra e o seu potencial como instrumento de evangelização e reflexão. Através da arte, a mensagem pascal ganha novas formas de expressão, aproximando-se das comunidades e convidando à contemplação do mistério da Ressurreição”.

Para a artista, esta experiência representa mais do que uma solicitação: é um verdadeiro serviço à Igreja e à vivência da fé — um chamamento à responsabilidade na transmissão da verdade no tempo de Jesus Cristo.

Num tempo em que a imagem continua a desempenhar um papel essencial na comunicação, esta aguarela afirma-se como um testemunho sensível e contemporâneo da centralidade da Páscoa.

Deixe um comentário