Ciborgues sinistros e paisagens pastorais convivem no mundo fantástico de Cole Pulice. Saxofonista, improvisador e compositor, a sua música vive suspensa entre a eletrónica ambient e os campos mais cósmicos do jazz. A 24 de abril, chega ao gnration, em Braga, para apresentar o seu mais recente disco Land’s End Eternal (2025).
Ao longo dos últimos cinco anos, Cole Pulice tem desafiado as fronteiras da música feita com o saxofone, através das possibilidades quase infinitas da experimentação elétrica. Em palco, o seu dispositivo performativo aproxima-se a um corpo híbrido; as mãos e a boca controlam o saxofone acústico e os sintetizadores MIDI acionados pela respiração, enquanto os pés navegam uma complexa rede de pedais de efeitos que distorcem e reconfiguram continuamente o fluxo do som. Pulice chegou já a comprar esta experiência à sensação de estar “preso dentro de um fato mecânico”.
Antes de se lançar a solo, Pulice percorreu o mundo a tocar com Bon Iver, integrando a digressão da folk futurista de 22, A Million (2016). Foi nesse período, com pouco mais de vinte e cinco anos, que decidiu que estava na hora de se lançar em nome próprio. Mudou-se de Minneapolis para Oakland e, entre concertos e colaborações com outros músicos, começou a gravar de forma intermitente o material que daria origem ao seu álbum de estreia, Gloam (2020).
Lançado com selo da Moon Glyph, este disco é o cartão de visita para o universo idílico de Pulice. Marcado por composições extensas e bucólicas para saxofone e sintetizadores MIDI, a sua música vai beber tanto à herança de Coltrane como às bandas sonoras de videojogos dos anos 1990 e 2000.
Seguiram-se as parcerias com Nat Harvie com o disco Strawberry Roan (2022) e Lynn Avery – conhecida também como Iceblink – com Live & Die In Space & Time (2022) e Phantasy & Reality (2024). Pelo meio editou Scry (2022), consolidando Pulice como uma figura essencial do avant-jazz contemporâneo. O reconhecimento foi mais do que confirmado com If I Don’t See You in the Future, I’ll See You In the Pasture (2023), uma odisseia eletroacústica de 22 minutos destacada pela Pitchfork com o selo de Best New Music e incluída nas melhores canções da década de 2020.
Land’s End Eternal, o mais recente trabalho, chegou em maio de 2025 e acrescenta um novo elemento ao mundo de Pulice – a guitarra elétrica. Conjugando este novo instrumento com o habitual saxofone e os sintetizadores, Pulice cria uma coleção de jazz de câmara pastoral repartido em seis capítulos, que lhe valeu elogios em publicações como The Quietus, Pitchfork e Bandcamp Daily.
Cole Pulice chega a Portugal a 24 de abril para apresentar Land’s End Eternal no gnration.
