A geração sénior em Portugal está a afirmar-se como uma das principais redes de segurança financeira das famílias a nível europeu e a demonstrar uma literacia digital crescente. Estas conclusões resultam da mais recente edição do estudo do Barómetro Europeu do Consumo Observador Cetelem, marca comercial do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, intitulado “Consumo Sénior | Choque demográfico na Europa: Como o Consumo Muda com a Idade”.
Num país onde 31% da população tem 60 anos ou mais (apenas atrás de Itália, na média europeia), os portugueses revelam sinais de resiliência, refletidos num otimismo que se traduz na valorização do bem-estar, na crescente adoção tecnológica e numa forte solidariedade intergeracional. De facto, Portugal é um dos países onde os seniores (inquiridos com mais de 60 anos) adotam um papel mais relevante na estabilidade familiar: 81% apoiam filhos e netos (face a 68% na UE), um auxílio considerado fundamental por 92% dos seniores nacionais, que manifestam preocupação (60%) quanto ao futuro dos mais jovens.
O estudo do Observador Cetelem aponta ainda para uma adoção tecnológica em crescimento nesta faixa etária, com cerca de 21% dos inquiridos em Portugal a afirmarem ter hábitos digitais regulares, um valor superior à média europeia (15%) e que coloca o país apenas atrás de Suécia e Itália. Esta digitalização reflete-se no consumo e no tempo livre, sendo o lazer uma prioridade para 76% dos portugueses nestas idades. No comércio eletrónico, o turismo lidera, com 43% dos seniores que compram online ao adquirem viagens, seguindo-se a cultura, com a compra de livros e bilhetes para eventos culturais (27%), a eletrónica de consumo (21%) e o vestuário (20%). Portugal destaca-se ainda nas subscrições de streaming TV (82% face a 32% na UE), com 27% a utilizarem estas plataformas.
Além disso, o perfil de consumo do sénior português caracteriza-se por um equilíbrio pragmático. Se, por um lado, 91% valorizam pequenos “mimos” ocasionais e 88% procuram garantir conforto, a racionalidade prevalece, com 80% a afirmarem evitar ativamente gastos desnecessários. No momento da compra, o preço é decisivo para 83% dos inquiridos, sendo que 54% são particularmente sensíveis a promoções (em contraste com 32% europeus). A sustentabilidade também ganha relevância: nos últimos dez anos, 32% optaram por reparar em vez de substituir e 26% compram produtos recondicionados.
