Minho

Festivais Gil Vicente entram em cena de 4 a 13 de junho com novos formatos e palcos

Os Festivais Gil Vicente regressam de 4 a 13 de junho com uma programação que aposta na renovação do fazer teatral, no diálogo entre gerações e na experimentação de formatos.

Promovidos pelo Teatro Oficina, em coorganização com o Município de Guimarães e o Círculo de Arte e Recreio, os festivais voltam a ocupar vários espaços de Guimarães, nomeadamente Centro Cultural Vila Flor, Teatro Jordão, Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Círculo de Arte e Recreio e Convívio Associação Cultural.

O evento reúne criações de origens mais próximas e mais distantes geograficamente, projetos emergentes e com afirmação nacional, bem como iniciativas que marcam a presença do pensamento e da formação.

Ao longo de várias décadas, os Festivais Gil Vicente afirmaram-se como um espaço de permanente reinvenção artística. A edição de 2026 reforça esse desígnio, propondo um conjunto de experiências que expandem o modelo recente do festival e apontam novos caminhos para o teatro contemporâneo. A ideia de “herança” atravessa grande parte da programação, convocando o passado para dialogar com o presente e projetar o futuro.

A programação inicia-se a 4 de junho com “Gatilho da Felicidade”, de Ana Borralho & João Galante, na Black Box do CIAJG, envolvendo jovens de Guimarães numa reflexão performativa sobre expectativas, inquietações e futuro. Ao longo dos dias seguintes, o festival apresenta propostas que cruzam teatro, performance e audiovisual, como “Pela Boca Morre” de Tomé Nunes Pinto, criação interativa da que coloca em contacto a companhia N.A.V.I.O. em parceria com o T.E.R.B., ou “Álbum de Família”, de Lúcia Pires, uma obra marcada pela intimidade e pelo uso do dispositivo cinematográfico.

Entre os propostas da programação, “Ivu’kar” de João Grilo, propõe uma abordagem sensível sobre a morte e o cuidado, enquanto “Só mais uma Gaivota”, da Formiga Atómica, revisita o universo de Tchékhov a partir de uma reflexão sobre o percurso artístico e o tempo. Já “AFRO SAL.OYÁ”, de Isabél Zuaa, explora o som enquanto elemento central de memória e identidade, e “TOSHIIB4”, de Luísa Guerra, mergulha na relação entre sexualidade, tecnologia e construção do eu.

O último fim de semana concentra experiências imersivas e formatos híbridos, como “Espalhar Fel”, nova criação em formato audiowalk de Mickaël de Oliveira, nos Jardins do Palácio Vila Flor, seguido de “Tudo em Avignon e eu aqui”, revisitação da criação de Bruno dos Reis (estreada em dupla sessão esgotada no passado mês de dezembro), que questiona os limites e condicionamentos do próprio aparelho teatral. O encerramento acontece em ambiente festivo com “O Retiro dos Festivais”, reforçando a dimensão celebratória e enredada do evento.

Paralelamente, os Festivais incluem a antecâmara “Criações em Curso” (atividades integradas a partir da rubrica “Criação Crítica” do Teatro Oficina), que decorre entre 28 de maio e 3 de junho, reunindo ensaios abertos, apresentações finais de alunos da Universidade do Minho e momentos de reflexão crítica. Destaca-se ainda a masterclass “Unreliable Narrator”, orientada por Luanda Casella, dirigida a estudantes e profissionais das áreas do teatro, jornalismo e literatura, bem como a continuidade da rubrica “hipertexto”, que promove a escrita crítica de artistas em ambiente digital.

O regresso dos Festivais Gil Vicente ao C.A.R.
A edição de 2026 dos Festivais Gil Vicente – uma organização conjunta d’A Oficina, do Município de Guimarães e do Círculo de Arte e Recreio – foi apresentada numa conferência de imprensa realizada no Círculo de Arte e Recreio, em Guimarães, com a participação de Isabel Ferreira (Vereadora da Cultura do Município de Guimarães), Esser Jorge Silva (Presidente Executivo d’A Oficina), Bruno dos Reis (Direção Artística do Teatro Oficina) e Filipa Pereira (Presidente do Círculo de Arte e Recreio – C.A.R.).

Na ocasião, Esser Jorge Silva destacou o papel central das emoções na missão d’A Oficina e do Teatro Oficina, e da arte teatral enquanto espaço privilegiado para a sua expressão, sublinhando ainda a importância das dinâmicas de colaboração e coprodução entre instituições culturais da cidade. Por seu lado, Filipa Pereira manifestou a satisfação do Círculo de Arte e Recreio em acolher espetáculos e integrar a programação desta edição através do TERB, reforçando o envolvimento da estrutura no tecido cultural local.

Por sua vez, a vereadora da Cultura Isabel Ferreira salientou a relevância da articulação com o Plano Nacional das Artes e o papel dos professores na promoção da presença da arte nas escolas, alinhando esta estratégia com as políticas culturais do município. Durante a apresentação do programa, o diretor artístico do Teatro Oficina e programador dos Festivais Gil Vicente, Bruno dos Reis, evidenciou a aposta em novos horários, espaços e modelos de apresentação, bem como a renovação da prática teatral, destacando o dinamismo do atual tecido criativo vimaranense e a ideia de “gesto de herança” como motor conceptual desta edição.

Os Festivais Gil Vicente 2026 afirmam-se, assim, como um território de encontro entre criação, pensamento e comunidade, onde o teatro procura constantemente reinventar-se e expandir os seus próprios limites.

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