Vila Verde

Centenária Livraria Rainha fecha portas em Vila Verde

A centenária Livraria Rainha, no centro de Vila Verde, fechou portas no final de abril, após mais de 100 anos de um negócio familiar que atravessou gerações.

Em declarações hoje à agência Lusa, Luís Ribeiro, de 63 anos e que estava à frente do espaço há 47 anos, assumiu que o negócio atravessava dificuldades, mas sublinhou que o principal motivo para o encerramento da livraria foi familiar.

“Não devo nada a ninguém, o encerramento não foi por falência, não foi por insolvência, foi meramente por opção própria. A realidade é que tenho 63 anos, moro ao lado dos meus pais, de 85 e 86 anos, e entendi ser o momento de retribuir o muito que eles me deram. E, nesta fase, passarei a ser mais companhia para eles”, explicou o proprietário.

Luís Ribeiro contou que a livraria foi criada pelo seu bisavô, passando depois para o seu avô, para o seu pai e finalmente para si.

“Vila Verde fica agora sem nenhuma livraria e centenária, esta, era a única. Não tenho os anos exatos, mas garantidamente que a livraria tem mais de 100 anos. Eu já estava aqui há 47 anos e antes de mim estiveram o meu bisavô, o meu avô e o meu pai”, relatou o comerciante.

O dono da Livraria Rainha assume que a decisão de encerrar um espaço histórico que faz parte da memória coletiva de Vila Verde foi “previamente planeada”, com o objetivo de estar mais tempo com os pais, assumindo que o negócio atravessava uma “quebra, à semelhança do que acontece em todo o lado”.

“Há pouco comércio em Vila Verde. Há muitas lojas em Vila Verde, mas pouco comércio. É um facto que o ‘online’ é uma realidade, mas não fechei por causa disso. A quebra no negócio foi também um dos motivos, mas não o principal”, reitera Luís Ribeiro.

Questionado sobre o que sentiu quando fechou a porta da Livraria Rainha pela última vez, respondeu ter sentido “um misto de alívio e de saudosismo”.

“Não senti tristeza. Isto teria de acontecer mais dia, menos dia. Não foi um drama. Aconteceu e há que seguir em frente”, assinalou Luís Ribeiro.

Na porta da entrada da Livraria Rainha, agora fechada, está um retrato, a preto e branco, do avô de Luís Ribeiro, conhecido como “o senhor Ribeiro de Vila Verde”, com a seguinte inscrição: “Este será sempre o espaço dele. Obrigado a todos”.

“Foi uma simples homenagem que quis prestar a quem me deixou aquele espaço”, explicou.

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