O Santuário do Bom Jesus do Monte inaugurou a exposição “Bom Jesus do Monte e o Bilhete Postal Ilustrado” e apresentou um luxuoso catálogo de postais ilustrados, alguns dos quais dos finais do século XIX. As intervenções de todos os responsáveis deram ênfase ao facto de estes bilhetes postais revelarem afeto, identidade, memória e património, tanto material como imaterial.
Na cerimónia, intervieram, além dos anfitriões, o cónego Mário Martins, presidente da Confraria do Bom Jesus; e Varico Pereira, vice-presidente da mesma Confraria; D. Delfim Gomes, Bispo Auxiliar de Braga; Rodrigo Correia, em representação da Câmara Municipal de Braga; e Vicente Martins, curador da exposição.
Na plateia estiveram ainda representantes de várias instituições de Braga, nomeadamente o Diário do Minho e a sua Gráfica, que produziu o catálogo, a AGERE, o Colégio João Paulo II, a Universidade Católica de Braga, bem como outros intervenientes diretos na exposição.
Na sua intervenção, o presidente da Confraria do Bom Jesus explicou a importância e as várias vertentes da exposição e do catálogo.
«Esta exposição convida-nos a olhar para um objeto simples, mas de extraordinário valor histórico, cultural, religioso e afetivo: o bilhete postal ilustrado. Durante décadas, o postal foi muito mais do que um meio de comunicação. Foi uma janela aberta para o mundo (ou até poderemos dizer, um coração aberto para o mundo…), uma forma de partilhar experiências, emoções, sentimentos e memórias. E poucos lugares terão sido tão retratados, admirados e divulgados através dos postais como o Bom Jesus do Monte».
O cónego Mário Martins falou em «belíssimos postais ilustrados» que testemunham a evolução do Bom Jesus, e que podem ser apreciados na exposição, revelando diferentes olhares sobre o santuário, a sua paisagem, a sua arquitetura e a vivência das pessoas que passaram pelo Bom Jesus. Para este responsável, o Bom Jesus continua a ser um espaço de acolhimento para todos. «Um lugar onde crentes e não crentes, peregrinos e turistas, famílias, investigadores e visitantes de todas as proveniências encontram beleza, silêncio, paz, inspiração e humanidade».
Afeto e memória
O curador da exposição também abordou a questão afetiva e de memória que os postais ilustram, esperando que, também esta exposição e o catálogo sejam um «bilhete postal enviado ao futuro, celebrando a eternidade do Bom Jesus».
Vicente Martins leu apenas alguns postais com dizeres que mostram afeto, como “No Bom Jesus pensei em ti”, “Sigo viagem deste lugar, rumo a casa, com saudades” ou “Quem me dera que as palavras tivessem cheiro para testemunhares o aroma que daqui emana” e “Estou num lugar maravilhoso e lembrei-me de ti”.
D. Delfim falou na salvaguarda do património e identidade de um povo
Por sua vez, D. Delfim Gomes fez saber que a sua memória do Bom Jesus vem de muito antes de imaginar ser Bispo Auxiliar de Braga. Além de um quadro do Bom Jesus, também tem um velhinho desdobrável do Bom Jesus, «uma autêntica relíquia», que, aliás, vai oferecer à confraria, precisamente para ser melhor preservado.
E o Bispo Auxiliar de Braga deu ênfase à palavra parabéns aos promotores e organizadores da exposição e do catálogo, por entender que se trata de uma forma de salvaguardar a memória afetiva de um povo; e valorizou quem preserva o património, seja ele material ou imaterial. «Aqui está Braga, aqui está Portugal», disse D. Delfim, considerando que recordar aqueles que estiveram cá antes de nós «é uma boa prática».
Quanto a Rodrigo Correia, também fez memória do Bom Jesus, nomeadamente numa ligação afetiva, através de uma foto do avó. E enalteceu tudo o que seja a valorização do património material e imaterial.
O desafio da Confraria vai no sentido de as pessoas conhecerem o catálogo, mas sobretudo de visitarem a exposição que ajuda a compreender como a imagem do Bom Jesus foi sendo construída e difundida, tornando-o num efetivo e afetivo património da Humanidade.
Afinal, do Bom Jesus foram enviados postais para o mundo inteiro.
