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Nova fábrica em Guifões vai produzir mais de 80 comboios para a CP

A CP – Comboios de Portugal assinalou o arranque da construção de uma nova fábrica de material circulante ferroviário em Guifões, no concelho de Matosinhos, no âmbito do contrato celebrado com a Alstom para o fornecimento de 153 automotoras para os serviços Urbano e Regional.

Esta unidade industrial, que ocupará mais de 20.000 metros quadrados e estará equipada com tecnologias de produção de última geração, permitirá que mais de metade dos comboios contratualizados – 81 ao todo – seja produzida em Portugal.

Com este projeto serão criados, segundo a Alstom, cerca de 300 empregos diretos e mais de 1.000 empregos indiretos, num contributo significativo para o desenvolvimento de competências e especialização no setor ferroviário nacional.

“Vivemos um momento decisivo para a ferrovia em Portugal. Estamos a dar um passo fundamental para a modernização da CP e do setor, assegurando não só novos comboios para os passageiros, mas também a criação de capacidade industrial no país. Trata-se de um projeto estruturante para a mobilidade e economia. Esta nova unidade vai contribuir para o desenvolvimento de competências, talento e conhecimento especializado no setor ferroviário”, acredita Pedro Moreira, Presidente do Conselho de Administração da CP.

A construção desta nova unidade industrial em Guifões, associada à renovação da frota e ao reforço da oferta, constitui um passo determinante para preparar a ferrovia portuguesa para os desafios futuros, consolidando o seu papel no sistema de transportes e na coesão territorial.

No futuro, esta unidade será adaptada para funcionar como uma oficina de manutenção da CP.

Maior investimento de sempre em material circulante
O arranque da construção desta unidade industrial surge no contexto do maior investimento de sempre realizado pela CP em material circulante. Com a ativação da opção de compra de mais 36 automotoras, o contrato com a Alstom passa a abranger um total de 153 unidades, num investimento que ultrapassa os mil milhões de euros, permitindo reforçar e modernizar a oferta ferroviária em todo o país. Através do aditamento assinado em março foi também acelerada a entrega dos novos comboios, sendo antecipada a conclusão do fornecimento em 17 meses.

As novas automotoras – 98 para os serviços Urbanos e 55 para os Regionais – começam a ser entregues em 2029, contribuindo para aumentar a capacidade, melhorar a acessibilidade e responder ao crescimento sustentado da procura pelo transporte ferroviário no país. Os novos comboios, com três carruagens e capacidade de até 450 passageiros, terão acessos sem degraus, conectividade Wi-Fi e espaços dedicados para cadeiras de rodas e bicicletas, prometendo melhorar significativamente a experiência de viagem dos passageiros.

Esta nova fábrica que vai nascer em Guifões integra esse contrato e representa mais um passo no regresso da produção de comboios em Portugal.

“Para acompanhar o aumento exponencial de procura que se tem registado, é imperativo renovar a frota de material circulante para oferecermos um serviço de cada vez maior qualidade aos passageiros e uma melhor experiência de viagem”, defende Pedro Moreira, lembrando que a estas 153 automotoras se juntam as 22 do contrato celebrado com Stadler e que já começaram a chegar a Portugal. A par disso, está a decorrer o concurso para o fornecimento de comboios de Alta Velocidade para serviço de passageiros, que prevê a compra de 12 automotoras (com opção de compra de mais oito).

Com estes investimentos, a CP prossegue a renovação da sua frota e reforça o seu compromisso com uma mobilidade mais sustentável, eficiente e inclusiva, alinhada com os objetivos nacionais de descarbonização e de transição energética.

Nova unidade integra Complexo Oficinal de Guifões
A concretização deste projeto industrial em Guifões ganha particular significado tendo em conta a história deste complexo oficinal. Inaugurada em 1990, a Oficina de Guifões afirmou-se como um polo central de manutenção, modernização e recuperação de material circulante, assegurando intervenções em diversas séries e contribuindo para a operacionalidade do serviço ferroviário nacional.

Em 2012, ao abrigo de um plano de reestruturação, foi encerrada a nave norte, que só voltaria a ser reativada em janeiro de 2020, recuperando um papel relevante na manutenção de frotas, na recuperação de carruagens (Schindler, Sorefame e Arco, entre outras) e na execução de revisões gerais de material circulante. Desde então, tem desenvolvido projetos de recuperação que permitiram reforçar a oferta em várias linhas e internalizar competências técnicas fundamentais.

Guifões é também o local onde se está a realizar a assemblagem do Comboio Português, no âmbito do projeto TrainSolutions Portugal, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

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