A Farmácia Narcisa C. Dias, de Braga, investiu na qualificação da sua equipa, apoiando a obtenção da Competência em Oncologia por uma das suas farmacêuticas.
Esta competência, ainda pouco representada na Farmácia Comunitária portuguesa, resulta do mérito, dedicação e esforço da profissional, no caso a vimaranense, Liliana Marques, e reforça a capacidade da equipa para prestar um acompanhamento mais diferenciado às pessoas que vivem com doença oncológica.
A Farmácia encontra-se igualmente preparada para integrar o circuito de dispensa de medicamentos hospitalares em regime de proximidade, reforçando a sua capacidade para responder às necessidades das pessoas sempre que este serviço seja aplicável e em articulação com os Serviços Farmacêuticos Hospitalares.
Porque, perante uma doença oncológica, a proximidade não significa apenas poder levantar um medicamento perto de casa; significa saber que existe, na comunidade, uma equipa preparada para esclarecer, acompanhar e caminhar ao lado das pessoas e das suas famílias ao longo de todo o percurso terapêutico.
É neste contexto que assume crescente importância a articulação entre os hospitais e a comunidade. Um dos exemplos é o regime de dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade, criado para aproximar os cuidados de saúde das pessoas. Sempre que estejam reunidos os critérios definidos pelo Serviço Nacional de Saúde, determinados medicamentos de dispensa hospitalar podem ser levantados numa farmácia comunitária, evitando deslocações frequentes ao hospital e contribuindo para uma maior comodidade e continuidade dos cuidados.
A equipa aumenta, assim, uma abordagem centrada na pessoa, reconhecendo que a doença oncológica envolve não apenas desafios clínicos, mas também impactos emocionais, familiares e sociais que exigem atenção e acompanhamento.
O estabelecimento, situado em Santo Estevão de Penso, beneficia ainda da formação da sua Diretora Técnica, licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, Narcisa Dias.
Importa realçar, a propósito, que, há cada vez mais pessoas a viver com doença oncológica. Os progressos da Medicina permitiram aumentar significativamente a sobrevivência e transformar muitos tipos de cancro em doenças de evolução prolongada. Hoje, para muitos doentes, o tratamento não termina no hospital: continua diariamente em casa, exigindo acompanhamento, informação, monitorização e apoio ao longo de todo o percurso terapêutico.
Contudo, a verdadeira proximidade não se mede apenas pela distância. Mede-se também pela capacidade de prestar um acompanhamento qualificado. Entre consultas hospitalares surgem frequentemente dúvidas sobre a medicação, efeitos adversos, interações medicamentosas, alimentação, cuidados de suporte ou estratégias para melhorar a adesão ao tratamento. A existência de profissionais diferenciados na comunidade pode fazer uma diferença significativa na segurança, na qualidade de vida e na tranquilidade das pessoas com doença oncológica e dos seus cuidadores.
Num tempo em que os cuidados de saúde procuram estar cada vez mais próximos das pessoas, investir na qualificação dos profissionais e fortalecer a ligação entre o hospital e a farmácia comunitária representa um passo importante para garantir um acompanhamento mais próximo, mais informado e mais humano.
