O complexo “Fábrica Verde”, na Figueira da Foz, desenhado pelo arquiteto bracarense José Carvalho Araújo, foi o local escolhido para a implementação da obra de arte vencedora da 4.ª edição do Prémio Arte em Espaço Público & Sustentabilidade, uma iniciativa promovida pelo dstgroup através da ZET, Galeria de Arte, que conta com o apoio científico do IB-S – Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da Universidade do Minho.
No processo de produção da obra de arte para espaço público, prevê-se que a proposta vencedora integre resíduos industriais e/ou provenientes da construção e demolição de edifícios, pelas empresas do dstgroup. A open call está aberta até às 23:59 de segunda-feira, 28 de setembro de 2026, e as candidaturas podem ser enviadas para o e-mail info@zetgaleria.com. A proposta vencedora será recompensada com 7.500 euros, além do apoio logístico do dstgroup em todo o processo, sendo que na primeira fase de seleção – em que se escolhem três propostas – os candidatos recebem 500 euros para desenvolvimento.
“Desde que inaugurámos a ZET, Galeria de Arte, em 2014, que temos promovido várias iniciativas, como simpósios, prémios abertos à comunidade artística e apoio direto a artistas, para criarem a partir da reutilização de materiais cuja função já se tinha esgotado e que, dessa forma, ganham uma nova vida. A nossa consciência ecológica e ambiental não pode ser um conceito vazio, mas é fundamental darmos o exemplo e indicar o caminho: os recursos do planeta não são ilimitados, temos de criar coisas novas a partir do que já usámos e que já não é útil. Acreditamos que, mais uma vez, os artistas concorrentes vão conseguir transformar os resíduos que temos no campus do dstgroup numa obra de arte em espaço público disponível para usufruto de todos”, refere Helena Mendes Pereira, Diretora Geral da ZET, Galeria de Arte.
O Prémio Arte em Espaço Público & Sustentabilidade tem vindo a afirmar-se como uma referência nacional da promoção da arte contemporânea em diálogo com a sustentabilidade e a reutilização de resíduos. “A arte pode mudar o mundo. Pode mudar a forma como olhamos a “casa comum”. Pode mudar a forma como consumimos. A forma de querer mais e mais e querermos o que não precisamos. A arte pode ser instrumental na mensagem de reparar e de reusar todas as coisas”, refere José Teixeira, Presidente do Conselho de Administração do dstgroup.
“Este prémio quer despertar para essa possibilidade de rejeitar que tudo vá para o aterro, que tudo se destrua. A proposta é re-imaginar qual a função de determinado material depois de cumprir uma vida, para que cumpra outra função ainda – a de fazer parte de uma obra de arte em espaço público”, finaliza.
Obras vencedoras das edições anteriores foram implementadas em Braga e Barcelos
Ao longo das três edições do prémio, participaram dezenas de concorrentes, sendo o vencedor da 1.ª edição, em 2020, o artista italiano Lorenzo Bordonaro, com a obra Refúgio, instalada no Parque de Guadalupe, em Braga, onde permanece acessível ao público. É uma escultura habitável que explora a relação entre arquitetura, natureza e comunidade e foi cedida ao Município de Braga para usufruto do público.
Na 2.ª edição, em 2022, a proposta do coletivo espanhol Trashformaciones foi a escolhida pelo júri. A dupla de irmãos valencianos, Pablo Montoya e Blas Montoya, apresentou a obra “Vitrais”, patente no Parque das Camélias, em Braga. Desenvolvido a partir de excedentes metálicos e acrílicos reciclados, o conjunto de três estruturas reflete sobre a reutilização de materiais e economia circular.
Em 2024, a 3.ª edição do prémio teve como vencedor o Muro Atelier, da portuguesa Joana Tomas e do francês Vincent Rault, que apresentou “Águas Correntes”, uma instalação escultórica que aborda a importância da água na vida humana. A obra está instalada no Complexo Mereces 718, em Barcelinhos, no concelho de Barcelos.
De recordar que a ligação ao IB-S com o dstgroup em projetos artísticos já tinha começado antes, quando, em 2017, em parceria com o IB-S (Universidade do Minho) foi produzida a escultura “Artes, Humanidades e Engenharia”, da autoria de Raúl Ferreira, que utilizava um material equivalente ao cimento, concebido de forma sustentável. Em 2018, o dstgroup e a ZET recuperaram uma ideia com 10 anos, criando um novo simpósio dedicado à produção de obras de arte para espaço público, mas desta vez valorizando questões como a sustentabilidade e a economia circular, partindo da reutilização de resíduos do campus do dstgroup, sendo também aí o IB-S um parceiro do projeto.
