O arquiteto Carvalho Araújo é o autor do Masterplan Valença 2030, uma estratégia de desenvolvimento urbano que propõe uma nova leitura da cidade, assente na valorização do património, da mobilidade e do espaço público. “A identidade não se constrói, recupera-se”, é um dos princípios orientadores que percorre todo o documento, refletindo a abordagem que tem distinguido o trabalho de Carvalho Araújo ao longo de décadas de prática.
Valença é uma das mais emblemáticas cidades históricas do norte de Portugal. Inscrita na região do Alto Minho e marcada pela imponente Fortaleza Vauban – Património da Humanidade –, a cidade enfrenta hoje os desafios comuns a muitos centros urbanos de média dimensão: despovoamento progressivo do núcleo histórico, pressão turística não gerida de forma integrada, défice de equipamentos e infraestruturas adaptadas ao século XXI, e ausência de uma estratégia coesa de desenvolvimento territorial.
A Arquitetura como resposta à vida nas cidades
O Masterplan Valença 2030 parte de uma premissa fundamental: uma cidade só cumpre o seu propósito quando serve as pessoas em toda a sua diversidade de necessidades. O plano estrutura-se em torno de três dimensões humanas essenciais:
VIVER – Garantir habitação de qualidade, espaço público humanizado e serviços de proximidade que sustentem comunidades resilientes no centro histórico e nas áreas de expansão urbana.
TRABALHAR – Criar condições para a fixação de atividade económica local – do comércio de rua à indústria criativa –, dotando a cidade de infraestruturas e conectividade que atraiam e retenham talento.
VISITAR – Potenciar o turismo cultural e patrimonial de forma sustentável, valorizando a Fortaleza, o Rio Minho e a singularidade fronteiriça de Valença sem comprometer a qualidade de vida dos residentes.
Este triângulo funcional constitui o teste de coerência aplicado a cada proposta do plano: toda a intervenção deve demonstrar como contribui para, pelo menos, uma destas dimensões.
Entre as principais operações previstas, destacam-se:
+A criação de um novo eixo urbano que articula o Fórum Intercultural de Valença, o Mercado Municipal e o Campo da Feira;
+A requalificação do Mercado Municipal, que será convertido num auditório multifuncional;
+A valorização da Antiga Alfândega, destinada a acolher a futura Alfândega Cultural;
+A criação do Museu Ferroviário;
+A requalificação da frente ribeirinha e da Avenida dos Bombeiros Voluntários;
+A reorganização da mobilidade, privilegiando os percursos pedonais e reduzindo a presença automóvel junto à Fortaleza.
Uma nova visão que se traduz numa abordagem que procura equilibrar património e contemporaneidade, reforçando a identidade do local sem perder de vista as necessidades da população e os desafios da sustentabilidade urbana.
Em Valença, a evolução passa por valorizar o existente, reorganizar o espaço público e criar melhores condições para viver, trabalhar e visitar a cidade.
“Valença é uma cidade que carrega séculos de história nas suas pedras e nas suas gentes. O nosso trabalho não foi o de projetar uma cidade nova – foi o de escutar o que esta cidade já é e ajudá-la a tornar-se mais plenamente ela própria. Um Masterplan não é um decreto: é uma conversa longa com o território, com as pessoas que nele vivem e com as gerações que ainda nele hão de viver. Queremos que daqui a dez anos alguém passe por Valença e sinta que esta é uma cidade que cuida de quem a habita – que tem espaço para os mais velhos e para os mais novos, para quem trabalha e para quem visita, para a memória e para o futuro”, refere José Manuel Carvalho Araújo, Arquiteto e Fundador do Atelier Carvalho Araújo.
