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Imóveis para venda são anunciados por 399 mil euros, mais 66% do que os 240 mil euros procurados

O mercado residencial português revela uma diferença significativa entre aquilo que está disponível para venda e aquilo que os utilizadores procuram. Os dados do Imovirtual relativos aos últimos três meses, entre maio e julho de 2026, mostram que o preço médio dos apartamentos e moradias para venda anunciados é de 399.155 euros, enquanto o valor médio procurado é de 240.000 euros, uma diferença de cerca de 66%.

Esta diferença não se limita ao preço e estende-se também ao tipo de imóvel disponível. Entre os anúncios únicos de apartamentos e moradias para venda analisados no período, 60,9% correspondem a apartamentos e apenas 39,1% a moradias. Do lado da procura, a relação inverte-se: das pesquisas com localização geográfica registadas, 57,3% incidiram sobre moradias e 42,7% sobre apartamentos.

“Os dados mostram diferenças importantes entre aquilo que existe no mercado e aquilo que as pessoas procuram, tanto no preço como no tipo de imóvel. As moradias concentram a maioria das pesquisas, apesar de representarem menos de quatro em cada dez imóveis disponíveis, e o valor procurado continua significativamente abaixo do preço da oferta. Esta leitura mostra que o desafio não passa apenas por aumentar a oferta, mas também por perceber até que ponto as casas disponíveis correspondem àquilo que as pessoas procuram, quer nas suas características, quer no preço”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

Nas moradias, esta distância é particularmente expressiva. Apesar de concentrarem 57,3% das pesquisas, correspondem a apenas 39,1% da oferta. O preço médio das moradias anunciadas é de 447.500 euros, cerca de 95% acima dos 230.000 euros de valor médio procurado para esta tipologia. Ou seja, a tipologia que reúne a maior parte das pesquisas é também aquela onde a distância entre o preço anunciado e o valor procurado é maior.

Nos apartamentos, a diferença é menor, embora continue a ser relevante. O preço médio dos imóveis anunciados é de 385.000 euros, cerca de 57% acima dos 245.000 euros de valor médio procurado. Também aqui existe uma diferença clara entre disponibilidade e interesse: os apartamentos correspondem a 60,9% da oferta, mas reúnem apenas 42,7% das pesquisas.

A análise por tipologia permite aprofundar esta leitura. Na oferta, o T3 em apartamento é o mais representado, com 22,5% do total analisado. Entre as pesquisas com uma tipologia concreta selecionada, o T4 em moradia destaca-se com 102.839 pesquisas, equivalentes a 10,1% do total, enquanto o T3 em apartamento soma 91.755 pesquisas, correspondentes a 9,0%.

As diferenças entre oferta e procura também variam significativamente ao longo do território. Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal concentram, em conjunto, 53,3% de todas as pesquisas realizadas no período. Lisboa reúne 22,5% do total, seguindo-se Porto, com (20,1%), e Setúbal, com(10,7%).

Ao nível dos concelhos, Vila Nova de Gaia lidera a procura nacional, com 49.289 pesquisas, correspondentes a 4,8% do total, seguida de Sintra, com 45.361 (4,4%), e Lisboa, com 45.297 (4,4%). Na oferta, a distribuição é diferente: Porto lidera com 13.463 anúncios, seguido de Vila Nova de Gaia, com 13.103, e Lisboa, com 11.304. Porto e Vila Nova de Gaia reúnem, em conjunto, 26.566 anúncios, cerca de 15,4% de toda a oferta nacional analisada.

A relação entre o número de pesquisas e os imóveis disponíveis revela contrastes ainda maiores a nível local. Entre os concelhos com pelo menos 200 anúncios, o Cadaval apresenta a relação mais elevada, com 21,2 pesquisas por cada anúncio disponível. Seguem-se Cartaxo (15,1), Alenquer (14,8) e Porto de Mós (14,5). Marinha Grande (14,1 pesquisas por anúncio), Tomar (13,1), Paredes (12,6), Pombal e Torres Vedras (ambos com 12,4) apresentam igualmente um número elevado de pesquisas face à oferta disponível.

Também no preço existem diferenças muito acentuadas entre territórios. Em Grândola, o preço médio dos imóveis anunciados é 240% superior ao valor médio procurado, seguindo-se Cascais (+155%), Loulé (+121%) e Castro Marim (+112%). A diferença nacional de 66% é, assim, substancialmente ultrapassada em alguns mercados.

Os dados do Imovirtual mostram que a distância entre oferta e procura no mercado residencial português vai muito além do número de imóveis disponíveis. Está presente no preço, na tipologia e na localização. A nível nacional, o preço médio dos imóveis anunciados é 66% superior ao valor procurado e as moradias concentram 57,3% das pesquisas, apesar de corresponderem a apenas 39,1% da oferta. É também nas moradias que a diferença de preço é maior, com o valor médio anunciado cerca de 95% acima do procurado, mostrando que aquilo que os utilizadores procuram e aquilo que encontram disponível nem sempre coincidem.

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