Com a temperatura a aumentar novamente, muitos tutores acreditam que tosquiar o cão é a melhor forma de ajudar o seu amigo de quatro patas a enfrentar o calor. A intenção parece boa, contudo, na maioria dos casos, remover o pelo pode ter precisamente o efeito contrário ao desejado e acarretar vários riscos. “O pelo não é um inimigo do calor. É, antes, uma das principais formas de proteção natural do seu cão”, alerta Marta Pereira, médica veterinária da ZU. Perceba com mais detalhe o que está em causa, os principais perigos e saiba como proceder de acordo com o tipo de pelo do seu animal.
“Ao contrário do que acontece com as pessoas, os cães não regulam a temperatura corporal através da transpiração da pele. O seu principal mecanismo de arrefecimento é a respiração, através da evaporação provocada pelo ofegar. O pelo, por sua vez, desempenha um papel fundamental na termorregulação, funcionando como um isolante natural que ajuda a proteger tanto do frio como do calor”, explica a veterinária.
Os principais perigos
Marta Pereira sublinha que “além da sua função de isolamento térmico, a pelagem constitui uma importante barreira física contra a radiação solar, reduzindo a exposição direta da pele aos raios ultravioleta. Também protege contra pequenas agressões externas, como picadas de insetos, abrasões, poeiras e outros agentes ambientais”.
É por isso que “quando o pelo é removido de forma excessiva, perde-se grande parte desta proteção natural. A pele fica mais vulnerável às queimaduras solares, aumenta o risco de dermatites e, em vez de impedir o aquecimento do animal, a radiação solar atinge diretamente a pele, podendo favorecer o sobreaquecimento”, sublinha a especialista.
Decisão deve respeitar o tipo de pelagem
Contudo, e porque nem todos os cães são iguais, a decisão de tosquiar deve respeitar as características da pelagem de cada raça.
Marta Pereira explica que “os cães de pelagem dupla, como o Husky Siberiano, o Golden Retriever, o Pastor Alemão ou o Border Collie, possuem duas camadas de pelo: um subpelo denso, responsável pelo isolamento térmico, e uma camada externa, que protege da radiação solar e da humidade. Nestes animais, a tosquia geralmente não é recomendada, pois compromete o funcionamento deste sistema natural e pode mesmo alterar o crescimento normal do pelo. Já os cães de pelagem de crescimento contínuo, como o Caniche, o Maltês, o Bichon Frisé ou o Yorkshire Terrier, necessitam de tosquias regulares para manter o pelo saudável e evitar a formação de nós”.
Ainda assim, frisa a veterinária, “durante o verão deve manter-se um comprimento suficiente para que a pele continue protegida”.
Em que situações é aconselhável a tosquia?
A tosquia é aconselhável, ou mesmo necessária, no caso dos animais com o pelo muito emaranhado, que seja impossível de escovar, em caso de determinadas doenças de pele sob orientação médico-veterinária ou quando é necessário facilitar a higiene em zonas específicas, como as patas ou a região perianal”, esclarece.
Cuidados que pode (e deve ter) no verão
Marta Pereira destaca que “mais importante do que cortar o pelo é garantir os cuidados adequados durante os meses de maior calor”, nomeadamente:
Escovagem frequente – remove o subpelo morto, melhora a circulação de ar junto da pele e facilita a dissipação do calor.
Banhos cuidados – com champôs adequados e seguidos de uma secagem completa, ajudam igualmente a manter a pele saudável.
Reduzir risco de golpe de calor – independentemente da raça, todos os cães devem ter sempre acesso a água fresca, permanecer em locais com sombra e evitar passeios ou exercício físico nas horas de maior calor, reduzindo assim o risco de golpe de calor.
“Antes de optar por uma tosquia radical, aconselhe-se junto do seu médico veterinário ou de um profissional de grooming qualificado. Cada animal tem necessidades próprias e uma avaliação individual permitirá escolher a solução mais adequada para preservar a saúde da pele e da pelagem”, aconselha a médica veterinária.
Consulte um Veterinário
Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre as opções mais adequadas ao contexto do seu animal de estimação, tendo em conta aspetos como a raça, idade, possíveis patologias, características específicas e histórico clínico do animal.
