A freguesia de Marrancos, em Vila Verde, recriou, este sábado, a tradicional Espadelada do Linho, numa iniciativa que juntou tradição, folclore, gastronomia e partilha entre gerações. Realizada nas instalações do Museu do Linho, a atividade integrou a programação “Na Rota das Colheitas”, promovida pelo Município de Vila Verde, e ficou também marcada pela comemoração do 13.º aniversário daquele espaço de preservação da memória local.
A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Rodrigues Fernandes, participou na iniciativa e destacou a Espadelada do Linho como “uma das atividades mais bonitas da nossa Rota das Colheitas”, enaltecendo o elevado grau de excelência da recriação e o seu importante contributo para a preservação e transmissão da identidade cultural do concelho.
Júlia Rodrigues Fernandes realçou igualmente a importância do linho enquanto elemento da cultura e da identidade vilaverdense, lembrando a sua ligação a manifestações emblemáticas do património local, como os Lenços de Namorados e o traje tradicional.
“São estas tradições que fazem da nossa terra e do nosso concelho um lugar melhor. É fundamental preservar estas memórias, transmitir estes saberes às novas gerações e reconhecer todos aqueles que continuam empenhados em manter vivas as nossas tradições”, acrescentou a presidente da Câmara.
Uma viagem pelo ciclo tradicional do linho
Ao longo da tarde, o público acompanhou a recriação das diferentes fases do ciclo do linho e das antigas técnicas utilizadas na sua transformação. Cerca de 30 mulheres e jovens, trajadas a rigor, recuperaram gestos, práticas e conhecimentos que, durante várias gerações, fizeram parte do quotidiano das comunidades rurais.
A música à capela acompanhou a demonstração, recriando o ambiente de convívio e alegria que tradicionalmente envolvia este trabalho comunitário. Seguiu-se a atuação do Rancho Folclórico da Associação Recreativa e Cultural de Marrancos.
Para o presidente da Associação Recreativa e Cultural de Marrancos, Abílio Ferreira, a Espadelada representa muito mais do que uma demonstração de uma antiga técnica de transformação do linho. Constitui igualmente a recuperação do espírito de festa e de entreajuda que marcava a vida das aldeias.
“A espadelada era um dia de festa rija na aldeia”, recordou Abílio Ferreira, enquanto explicava ao público “as voltas que o linho dá” ao longo de todo o processo tradicional.
O presidente da Junta de Freguesia da União de Marrancos e Arcozelo, Manuel Rodrigues, enalteceu também o empenho de todos os envolvidos na preservação desta tradição, considerando fundamental “louvar o trabalho desenvolvido por estas pessoas, trazendo memórias e recordações”.
Museu do Linho celebrou 13 anos
A comemoração do 13.º aniversário do Museu do Linho reforçou o simbolismo da iniciativa. O espaço voltou a assumir-se como um ponto de encontro entre gerações, permitindo recordar uma atividade que marcou profundamente a vida das comunidades rurais e aproximar os mais jovens de um património imaterial que continua a fazer parte da identidade de Marrancos e de Vila Verde.
Depois da recriação dos trabalhos associados ao linho e da atuação do Rancho Folclórico, houve ainda lugar à partilha de uma merenda tradicional, à semelhança das que se realizavam antigamente, e ao habitual bolo de aniversário do Museu do Linho.
A iniciativa reuniu a comunidade, visitantes, representantes de associações locais e utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia, num ambiente de convívio e partilha.
A organização esteve a cargo do Rancho Folclórico da Associação Recreativa e Cultural de Marrancos, com o apoio do Município de Vila Verde e da Junta de Freguesia da União de Marrancos e Arcozelo.
