Duas crias de águia-real foram esta semana entregues ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, três meses após terem nascido no Parque Biológico de Gaia, estando a adaptar-se à natureza.
Os aguiotos, nascidos a 8 de junho e criados integralmente pelos progenitores, preparam-se agora para uma nova etapa, tendo sido transferidos para uma instalação de aclimatação no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) ainda antes da sua integração definitiva na natureza.
O nascimento ocorreu a 8 de junho, após um processo iniciado em 2022, quando o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) propôs ao Parque Biológico de Gaia acolhimento de casal reprodutor de águia-real integrado num programa de reprodução ex situ.
Num programa de conservação desta espécie ameaçada, gerido pelo ICNF em colaboração com a organização não governamental espanhola Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Hábitat (GREFA), sendo objetivo contribuir para o reforço daquela população da espécie no território transfronteiriço Gerês-Xurés e estimular a fixação de novos indivíduos, disse o ICNF.
O casal chegou ao Parque Biológico em outubro de 2022 e foi instalado numa área fora do percurso de visitação, garantindo as condições de tranquilidade necessárias à sua adaptação e reprodução, sucedendo um período de adaptação, em que este ano o processo reprodutivo foi bem-sucedido, com o nascimento dos dois aguiotos, que já estão no Gerês, em Terras de Bouro.
Desde então as crias têm sido cuidadas em exclusivo pelos progenitores, condição fundamental para preservar comportamentos naturais e permitir avançar para a próxima fase do programa de conservação, segundo refere o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Os dois jovens animais foram transferidos para uma instalação de aclimatação, ou hacking, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, (PNPG), local onde completarão o processo de adaptação ao território em condições que favorecem a futura vida em liberdade e a fixação naquela região.
A águia-real é a maior das águias portuguesas e encontra-se classificada como Em Perigo em Portugal e a sua distribuição no território nacional é localizada, ocorrendo sobretudo em áreas do interior e em zonas de difícil acesso, como sucede com o Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Os núcleos das Serras do Marão e do Alvão, bem como do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) perderam os seus casais reprodutores por volta de 2007, tornando particularmente relevante o esforço desenvolvido para favorecer o regresso e a fixação da espécie nesta região.
Atualmente, são conhecidos cerca de 65 casais reprodutores de águia-real, em liberdade, em Portugal, pelo que o trabalho conjugado de várias entidades nacionais, vai continuar em pleno.
