Há dias em que a política mostra o melhor de si. E há outros em que nos lembra exatamente aquilo que não queremos que ela seja.
O debate em torno da moção de censura apresentada pelo Chega na Assembleia da República foi, infelizmente, um desses momentos. O que deveria ser um debate político sério acabou, em alguns momentos, reduzido a gritos, palavras de ordem e confronto. Não é esse o caminho que devemos querer para as nossas instituições.
Uma moção de censura é um instrumento sério e legítimo da nossa democracia. A oposição tem todo o direito de o utilizar quando entende que o Governo deve ser censurado. É a democracia a funcionar. O que não podemos normalizar é que, depois de uma derrota parlamentar, se procure transformar o resultado num novo momento de espetáculo.
A política não pode ser apenas isto.
Portugal precisa de uma oposição exigente. Uma oposição que fiscalize, que critique, que faça perguntas difíceis. Mas também de uma oposição que apresente alternativas e explique aos portugueses o que faria de diferente.
Porque, no final do dia, há um Governo que tem de continuar a governar. E este Governo, liderado pelo PSD e pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, tem uma responsabilidade que vai muito além dos debates parlamentares: continuar a melhorar a vida dos portugueses.
E governar é tomar decisões. Decisões que têm impacto verdadeiro na vida das pessoas.
Estamos a começar uma nova sessão legislativa num momento particularmente exigente. O mundo está a mudar rapidamente, a segurança da Europa está sob pressão, há guerras e conflitos cada vez mais próximos e grandes potências a brincar perigosamente com a guerra. Tudo isto tem consequências, também para Portugal.
Apesar deste cenário, a economia portuguesa continua a crescer.
No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 2,3% em termos homólogos. Os salários, tanto o mínimo como o médio, continuam a crescer acima da inflação.
Existem 85 projetos de investimento estrangeiro em análise, representando mais de 22 mil milhões de euros.
Também as exportações recuperaram de forma muito significativa. Em março cresceram 20,9% face ao mês anterior, naquele que foi o melhor mês de sempre.
São números. Mas, para mim, não são apenas números.
Por trás deles estão empresas que investem, pessoas que encontram emprego, salários que crescem e famílias que ganham alguma margem para respirar.
E quando falamos de jovens, esta diferença torna-se ainda mais evidente.
O IMT Jovem já permitiu a cerca de 100 mil jovens beneficiar de isenção na compra da primeira habitação. A Garantia Pública já apoiou dezenas de milhares na compra da primeira casa e o Porta 65 chega atualmente a cerca de 50 mil jovens.
No emprego, a taxa de desemprego jovem fechou 2025 nos 19,8%, o valor mais baixo dos últimos seis anos.
Podemos olhar para estes números de várias formas. Eu prefiro olhar para as pessoas que estão por trás deles.
Um jovem que conseguiu comprar a primeira casa. Outro que conseguiu pagar a renda. Outro que encontrou o primeiro emprego. Parece pouco quando colocado numa tabela. Para quem está a começar a vida, pode significar tudo.
Como jovem e como deputado da JSD, sei que ainda há muito por fazer.
A habitação continua a ser uma das maiores dificuldades da minha geração. O custo de vida pesa nas famílias. Na saúde, na educação e na segurança continuam a existir problemas que não podemos ignorar. Mas reconhecer aquilo que falta não significa fingir que nada está a ser feito.
Desde que este Governo assumiu funções, foram tomadas medidas em áreas que durante demasiado tempo ficaram por resolver: reforço de profissionais no SNS, novas escolas, recuperação do tempo de serviço dos professores, novas
camas na saúde, mais habitação e novas vagas em creches.
Podemos achar que é suficiente ou que é preciso fazer mais. Eu acho que é preciso fazer mais. Mas também acho que devemos ter a honestidade de reconhecer o que está a ser feito.
Foi para isso que os portugueses deram um mandato a esta maioria: para governar, resolver problemas e apresentar resultados.
O mesmo acontece com as contas públicas.
Não temos de escolher entre responsabilidade financeira e justiça social. É possível ter contas certas e, ao mesmo tempo, devolver dinheiro às famílias.
Foi nesse sentido que o Governo anunciou um suplemento extraordinário para pensionistas, num valor global de cerca de 400 milhões de euros, e uma redução do IRS até ao sexto escalão, também na ordem dos 400 milhões.
Isto também é governar.
É garantir que uma economia que cresce se traduz em benefícios concretos para as pessoas, sem hipotecar o futuro.
No fim, é isso que retiro do debate.
Os portugueses não vivem de moções de censura, de comissões ou de polémicas.
Vivem das suas vidas.
Querem saber se conseguem pagar a renda. Se conseguem comprar uma casa. Se encontram emprego. Se conseguem colocar os filhos numa creche.
Se, quando precisam, conseguem ter acesso a cuidados de saúde.
É para essas pessoas que devemos estar na política.
Como deputado da JSD e do PSD, quero uma política que aceite a crítica e o escrutínio, mas que também seja capaz de mostrar resultados. Uma política que fale dos jovens, mas que, acima de tudo, lhes dê condições para construir
o seu futuro.
Podemos discutir muito sobre política. Podemos discordar. Podemos ter visões diferentes para o país.
Mas há uma coisa que não devemos esquecer: a política existe para servir as pessoas, não para servir o espetáculo.
Portugal não precisa de mais ruído.
Precisa de estabilidade, ambição e responsabilidade.
Entre o espetáculo e a política, escolho a política.
