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Uvas pisam-se com os pés no Samiguel de Cabaços em Ponte de Lima

No próximo dia 26 de setembro, às 21h07, o adro de Cabaços volta a receber um dos momentos mais genuínos das Festas de SAMIGUEL DE CABAÇOS: a Lagarada à Moda Antiga.

Mais do que recriar uma tradição, esta noite pretende recordar uma forma de viver e de trabalhar que durante muitos anos marcou a vida das nossas terras. A vindima nunca foi apenas o momento de colher as uvas. Era também tempo de juntar família, vizinhos e amigos, de repartir tarefas, de trabalhar lado a lado e de transformar o esforço de muitos num motivo de celebração.

Os cestos chegam carregados de uvas e o trabalho começa como antigamente. Parte delas segue para o lagar, onde serão pisadas a pés descalços. Quem quiser participar terá primeiro de passar pelo tradicional lava-pés, antes de entrar no lagar e ajudar a esmagar os bagos.

Outras uvas serão trabalhadas na raladeira, movida pela força dos braços, recuperando gestos antigos que durante gerações fizeram parte da vida agrícola das nossas aldeias. Entre o barulho da raladeira, o cheiro das uvas acabadas de esmagar e o mosto a formar-se, queremos trazer de volta um pouco daquilo que era uma verdadeira lagarada.

“E há ainda um pormenor que liga esta tradição de uma forma muito especial à própria identidade de Cabaços. Depois de produzido, parte do vinho será colocado em cabaços, cabaças cuidadosamente tratadas e preparadas para guardar e transportar o vinho, as chamadas cabaças de vinho. Estes recipientes, tão ligados à vida rural de outros tempos, estão também representados na heráldica da freguesia, fazendo desta lagarada não apenas a recuperação de uma tradição agrícola, mas também uma forma de mostrar e valorizar elementos que fazem parte da nossa história e da nossa identidade”, refere o padre Paulo Emanuel.

Porque naquele tempo o trabalho fazia-se em conjunto. Uns carregavam os cestos, outros pisavam, outros ajudavam na raladeira e havia sempre alguém a cantar, a tocar ou simplesmente a fazer companhia. No final, o vinho não era apenas o resultado da vindima. Era também o resultado da terra, do trabalho, da entreajuda e da comunidade.

“É esse espírito que queremos voltar a viver”.

Por isso, traga a sua concertina, o cavaquinho, as castanholas ou simplesmente a vontade de cantar e de participar. Ao longo do serão, vários grupos irão juntar-se à festa e, enquanto houver uvas para esmagar, haverá também música tradicional, cantigas e animação à volta do lagar.

Depois, quando o trabalho estiver terminado, os cestos arrumados, os últimos bagos esmagados e os pés novamente lavados, a noite muda de ritmo. As concertinas dão lugar a outros sons e serão os mais novos a mostrar aos mais experientes na vida um pouco da sua música e da forma como hoje se vive uma noite de festa.

A animação continuará com o DJ M, unindo numa mesma noite diferentes gerações, diferentes músicas e a mesma vontade de estar juntos.

“No dia 26 de setembro, queremos que quem passar pelo adro não venha apenas assistir. Queremos que venha participar, recordar, aprender, cantar, trabalhar connosco e fazer parte desta tradição”, finaliza o pároco.

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