Vila Verde

Rui Couceiro apresenta obras em noite de “Aqui Há Cultura!” dedicada à Literatura

Rui Couceiro visitou Vila Verde como convidado de mais uma iniciativa do Projeto “AQUI HÁ CULTURA!”, dinamizado pela Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) e Câmara Municipal de Vila Verde. O encontro aconteceu na Biblioteca Professor Machado Vilela, com o propósito de apresentar as obras do escritor. Manuela Barreto Nunes deu início à sessão, que foi conduzida, em jeito de conversa, por Arnaldo Varela de Sousa.

Quem procurou boas histórias numa sexta feira à noite, encontrou-as na última sessão do “AQUI HÁ CULTURA!”. Cerca de quatro dezenas de leitores (ou tribo) presentes na sala, tomaram conhecimento dos “15 minutos académicos”. História para contar assim que houver oportunidade.

Receber Rui Couceiro e ouvir por palavras suas o que o faz escrever foi, na opinião geral, uma lufada de ar fresco. Cativante, o autor nascido no Porto, apresentou-se como amante de montanhas e rios, contou que sonhou ser alpinista, jornalista e editor. Entre as concretizações da vida profissional, viram a luz do dia três publicações que o autor trouxe consigo. “Baiôa sem data para morrer” (obra vencedora do Prémio Literário Manuel Boaventura) e “Morro da pena ventosa”, dois romances de ficção, e “A mais bela maldição”, obra de histórias reais, algumas delas partilhadas na sessão e que geraram curiosidade e entusiasmo geral.

«Interessa-me tocar em temas como amizade, amor ou morte. São os grandes pilares da grande literatura», referiu Rui Couceiro, acrescentando: «só escrevo sobre o que me interessa». Apesar de ficcionadas, as obras retratam bem o que acontece no Portugal atual. Desertificação do interior ou gentrificação das grandes cidades são temáticas que servem de base para as obras de Couceiro, que se colocou, inclusive, na pele de mulher para escrever o segundo romance, “Morro da Pena Ventosa”. Segundo o próprio, esse terá mesmo sido «um tremendo desafio». Mas há outros: seis anos para maturar o “Baiôa sem data para morrer” fazem com que «as personagens façam parte da nossa vida», referiu.

A leitura e a IA
Apesar de Portugal estar na cauda da Europa no que diz respeito à leitura, Rui Couceiro admite que a mesma «não está tão ameaçada como tememos». Parece certo que os jovens não leem como “antigamente”, optando aos dias de hoje por informação mais rápida, de consumo imediato. «Uma criança tem hoje, em média, 8 segundos de tempo de atenção. Pela primeira vez na história da humanidade, a geração atual tem um QI mais baixo do que dos seus pais», disse o escritor, que admitiu ainda que «o progressismo da Inteligência Artificial é o suicídio humano».

Para quem escreve desde os seis anos de idade, a piada está no caminho. «Na arte o que interessa é o processo. Tenho interesse em histórias de gente que viveu para as suas obras», rematou. Rui Couceiro considera-se um «pessimista na análise e otimista na ação». Talvez por isso não caia na toada modernista dos consumos fugazes e continue a deliciar os seus leitores com as suas histórias fictícias, mas com personagens que parecem reais, ou com histórias reais, de pessoas que parecendo fictícias, são bem reais.

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