O crédito à habitação continua a crescer em Portugal, mas encontrar um imóvel dentro de um determinado orçamento depende também da oferta disponível no mercado. Segundo o Banco de Portugal, o stock de crédito à habitação aumentou 11,2% em agosto de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, enquanto os dados do Imovirtual mostram que cerca de 76% dos apartamentos e moradias anunciados para venda entre janeiro e setembro de 2026 custam mais de 250 mil euros, face a aproximadamente 69% no mesmo período de 2025.
A diferença entre a oferta disponível e o interesse dos utilizadores é particularmente expressiva. Apesar de os imóveis até 250 mil euros representarem apenas 24,3% dos anúncios, concentram 51,6% das visualizações registadas no Imovirtual. Estes dados mostram que os imóveis de menor valor continuam a captar uma atenção proporcionalmente superior ao seu peso na oferta, num contexto em que o financiamento é uma dimensão importante para muitas famílias que procuram comprar habitação.
O patamar dos 250 mil euros foi utilizado como referência para analisar a distribuição da oferta por diferentes orçamentos, permitindo identificar uma diferença expressiva entre o peso dos imóveis anunciados e a atenção que recebem dos utilizadores. Este valor não corresponde a um limite de financiamento, mas permite compreender como a oferta se distribui entre escalões de preço inferiores e superiores.
A redução da representatividade dos imóveis de menor valor é também evidente na comparação anual. Em 2025, os anúncios até 200 mil euros representavam 20% da oferta, enquanto em 2026 esse peso caiu para 14%. Em sentido contrário, os imóveis acima dos 400 mil euros passaram de 37,6% para 39,7%, reforçando a maior concentração da oferta nos escalões superiores.
“O crescimento do crédito à habitação pode refletir diferentes dinâmicas, desde a evolução do número de empréstimos até ao valor dos financiamentos concedidos. Ao mesmo tempo, os dados do Imovirtual mostram que a oferta está a ganhar peso nos escalões de preço superiores, enquanto os imóveis de menor valor continuam a concentrar uma parte muito significativa das visualizações. Para quem procura comprar, é importante compreender não apenas as condições de financiamento, mas também que imóveis estão efetivamente disponíveis dentro do orçamento familiar”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
A análise dos diferentes patamares de preço mostra que esta alteração não se limita aos extremos. Os imóveis entre 250 mil e 300 mil euros passaram de 12,5% para 15,4% da oferta, enquanto os anúncios entre 300 mil e 350 mil euros aumentaram de 9,6% para 11,1%. Já o escalão entre 200 mil e 250 mil euros recuou de 11,4% para 10,3%, reforçando a redução do peso dos imóveis anunciados abaixo dos 250 mil euros.
O interesse dos utilizadores continua, contudo, particularmente concentrado nos escalões mais baixos. Em 2026, os imóveis até 150 mil euros representam apenas 8,2% da oferta, mas concentram 22,2% das visualizações. No escalão entre 150 mil e 200 mil euros, a diferença mantém-se, com 5,8% dos anúncios e 14,2% das visualizações.
“A diferença entre o peso dos imóveis na oferta e a atenção que recebem dos utilizadores ajuda-nos a compreender melhor o comportamento do mercado. Os anúncios de menor valor continuam a despertar um interesse proporcionalmente elevado, mesmo quando representam uma parcela cada vez mais reduzida da oferta. Esta leitura é particularmente importante para perceber os desafios que se colocam a quem procura comprar dentro de um orçamento definido”, acrescenta Sylvia Bozzo.
Esta evolução acontece num mercado onde o número total de anúncios de apartamentos e moradias para venda se manteve relativamente estável. Entre janeiro e setembro de 2026, o volume de anúncios publicados diminuiu apenas 2,8% face ao mesmo período de 2025, mostrando que a mudança mais expressiva está na distribuição da oferta por escalões de preço.
Também a dimensão dos imóveis anunciados apresenta alterações. A área média passou de 147 m² em 2025 para 135 m² em 2026, uma redução de aproximadamente 8,2%. Assim, a oferta analisada apresenta atualmente uma maior concentração nos escalões de preço superiores e uma área média inferior à observada no ano anterior.
A evolução da oferta por escalões de preço mostra que a capacidade de financiamento e a disponibilidade de imóveis ajustados ao orçamento familiar são dimensões complementares na decisão de compra. Num contexto de crescimento do crédito à habitação, conhecer a distribuição da oferta torna-se particularmente relevante para compreender as opções existentes no mercado.
