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Autarca de Braga condena pichagem: “Sem casas não há futuro”

O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, condenou hoje a vandalização, na última noite, do edifício dos Paços do Concelho com a pichagem, na fachada, da frase “Sem casas não há futuro”.

Em nota publicada no Facebook, João Rodrigues (PSD) diz concordar com a frase, mas condena “em absoluto a forma escolhida para a escrever”.

Fonte municipal disse à Lusa que será apresentada queixa contra incertos.

“Respeito profundamente a liberdade de manifestação. O que não toleraremos é a vandalização do património que pertence a todos, a intimidação de quem pensa de maneira diferente ou a ameaça a quem tem a coragem de falar. Muito menos a violência como forma de impor ideias. A Câmara não é minha; é dos bracarenses. E quem protesta pacificamente não deve ser confundido com quem ultrapassa estes limites”, escreve o autarca.

João Rodrigues sublinha que conhece bem a dimensão do problema da habitação, que compreende a indignação de quem não consegue pagar uma casa e que sabe quanto trabalho tem pela frente.

“Mas isso não pode servir de desculpa para tudo. E as pinturas não são o mais grave. São um exemplo que merece ficar registado, sobretudo quando já se ouvem apelos descarados a que se reproduzam em Portugal os confrontos e os episódios de violência que temos visto em França”, acrescenta.

João Rodrigues diz-se preocupado com a normalização de discursos de intimidação e ameaças, mas também com o silêncio de quem receia condená-los, “não vá parecer que está contra o direito à habitação”.

“Os moderados (a esmagadora maioria das pessoas) não têm de pedir desculpa pelo facto de o serem, nem de apresentar provas de sensibilidade social para defender princípios elementares. A moderação não é tibieza nem falta de coragem. Muito pelo contrário. E pintar uma parede não é o mesmo que ameaçar ou agredir. Mas não precisamos de esperar pelo pior para dizer onde estão os limites”, escreve ainda o autarca.

O presidente do município reitera que respeita “profundamente a liberdade de manifestação”, mas avisa que não tolerará “a vandalização do património que pertence a todos, a intimidação de quem pensa de maneira diferente ou a ameaça a quem tem a coragem de falar”.

“Muito menos a violência como forma de impor ideias”, remata.

A cidade de Braga foi palco, na noite de quarta-feira, de uma “assembleia popular” em defesa da habitação e melhores condições de vida, a exemplo do que já tinha ocorrido na noite anterior.

Na quarta-feira à noite, os participantes decidiram realizar nova assembleia popular no centro da cidade no sábado, a partir das 15:00.

Além desta proposta, as cerca de duas centenas de pessoas presentes na Praça da República votaram também favoravelmente a realização de uma acampada em Braga, mas sem definirem uma data, a promoção de uma sessão pública sobre a nova lei das rendas, o contacto com moradores locais e o apoio a uma greve geral ibérica.

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