O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre o estado de abandono e degradação do Recolhimento das Convertidas, em Braga, exigindo medidas urgentes para salvaguardar este importante património histórico, arquitetónico e cultural.
Inaugurado em 1722 e classificado como Monumento de Interesse Público desde 2012, o Recolhimento das Convertidas é um exemplar singular do barroco conventual e um testemunho relevante da história das mulheres e da sua condição ao longo dos séculos. No entanto, a falta de obras de conservação tem deixado o edifício exposto à degradação, com a entrada de chuva e animais através de janelas abertas ou sem vidros, colocando em risco as estruturas de madeira, a cobertura e o património artístico da Capela de São Gonçalo.
“A situação exige uma resposta imediata. Para além da necessidade de travar a deterioração do imóvel, importa esclarecer se foram devidamente avaliados os eventuais impactos das obras realizadas no hotel contíguo na estabilidade do monumento e se estão a ser cumpridas as regras aplicáveis à respetiva Zona Especial de Proteção”.
Desde 2017 que a CIM Cávado procura concretizar uma permuta patrimonial com o Estado. Em agosto de 2025, o Conselho de Ministros aprovou essa operação, através da Resolução do Conselho de Ministros n.o 117/2025, prevendo a transferência do Recolhimento para a CIM Cávado. Contudo, segundo a informação divulgada pela ASPA, o processo continua por concluir, mantendo o edifício numa situação de vulnerabilidade e sem uma solução definitiva para a sua recuperação.
Para o Bloco de Esquerda, “é inaceitável que um monumento com este valor patrimonial permaneça exposto à degradação, apesar de existir uma decisão governamental que poderá abrir caminho à sua reabilitação e valorização pública”.
Em 2025, a ASPA e outras associações apresentaram uma proposta para a criação da Casa da Memória da Mulher, um projeto destinado a preservar, investigar e divulgar a história das mulheres, através de um núcleo museológico, exposições, investigação e atividades educativas e culturais.
O Bloco considera que esta “proposta constitui uma oportunidade para devolver o Recolhimento das Convertidas à comunidade, transformando um edifício ameaçado pela degradação num espaço vivo de cultura, conhecimento e valorização da memória histórica das mulheres”.
Nesse sentido, o deputado do Bloco dirigiu ao Governo, através do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e do Ministério das Finanças, um conjunto de perguntas para esclarecer que medidas estão previstas para travar a degradação do imóvel, quais os motivos para o atraso na concretização da permuta, que avaliações técnicas foram realizadas e que diligências estão a ser desenvolvidas para assegurar a conservação do monumento.
