A indústria do Cávado tem pela frente um desafio que pode ser determinante para a sua competitividade: passar de medidas de sustentabilidade implementadas no dia a dia para uma gestão estruturada, com políticas definidas, indicadores de desempenho e objetivos mensuráveis. Esta é uma das dimensões evidenciadas pelo estudo realizado no âmbito do projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP).
Com uma base industrial relevante, onde se destacam atividades como o têxtil e o vestuário, o Cávado reúne empresas para as quais a utilização eficiente de energia e matérias-primas, a gestão de resíduos, as condições de trabalho e a capacidade de demonstrar boas práticas podem assumir um papel crescente na relação com clientes e parceiros comerciais.
O estudo identifica uma tendência transversal às empresas inquiridas no Norte: a sustentabilidade é reconhecida como importante, mas nem sempre está traduzida em estratégias formais e metas concretas. 91% das empresas inquiridas consideram a sustentabilidade uma preocupação empresarial, mas apenas 15% afirmam ter objetivos definidos para o curto, médio e longo prazo.
A diferença entre intenção e execução é particularmente relevante para os territórios com forte presença industrial. Para além de implementar medidas, as empresas precisam de acompanhar os seus resultados, identificar oportunidades de melhoria e reunir informação que permita responder às exigências de clientes, fornecedores e financiadores.
Na indústria, a monitorização ambiental apresenta sinais de maior desenvolvimento do que noutros setores. Ainda assim, o estudo identifica diferenças entre áreas: a energia, a água e os resíduos estão entre os indicadores mais acompanhados, enquanto a medição das emissões de gases com efeito de estufa, sobretudo as que resultam indiretamente da cadeia de valor, continua menos consolidada.
Esta evolução coloca um desafio concreto às empresas do Cávado: saber não apenas o que estão a fazer, mas também medir, documentar e demonstrar o impacto das medidas adotadas. A capacidade de responder a esta exigência pode tornar-se relevante para preservar relações comerciais, reforçar a confiança dos clientes e preparar as empresas para novos requisitos de mercado.
“A sustentabilidade é cada vez mais relevante para a competitividade das empresas. É importante ajudá-las a perceber como podem integrar estas práticas na sua atividade e responder às novas exigências do mercado”, afirma João Albuquerque, Presidente da Direção da ACIB.
O estudo evidencia igualmente que a dimensão empresarial influencia o grau de formalização das práticas ESG. Num tecido empresarial do Norte em que as microempresas representam mais de 94% do total, a escassez de recursos, tempo e competências pode dificultar a criação de políticas, a definição de metas e a preparação de informação de sustentabilidade.
“A capacitação é essencial para que as empresas consigam transformar as preocupações com a sustentabilidade em medidas concretas, ajustadas à sua realidade e com resultados que possam acompanhar”, afirma Diana Portelinha, Diretora Geral do IFCTS.
Capacitação gratuita em Braga para apoiar a indústria e as MPME
É neste contexto que a AEP promove a ação de capacitação “Rumo à Prática”, integrada no projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, com o apoio local da ACIB, do IFCTS, da START Esposende e da InvestBraga. A iniciativa disponibiliza sessões gratuitas e presenciais para ajudar as micro, pequenas e médias empresas a identificar prioridades e a aplicar medidas de sustentabilidade ajustadas à sua atividade.
“A sustentabilidade é também uma oportunidade para as empresas reforçarem a sua competitividade e prepararem o futuro. É importante criar condições para que possam integrar estas práticas na sua atividade, sendo esta iniciativa essencial para apoiar todos os que querem começar, desde já, a trabalhar o tema” refere Luís Rodrigues, Administrador Executivo da InvstBraga.
“A proximidade às empresas é fundamental para as apoiar nesta transição. Dar-lhes acesso a conhecimento e orientação permite identificar oportunidades de melhoria e preparar os negócios para os desafios futuros”, afirma Aurélio Neiva, Vereador da Câmara Municipal de Esposende com o pelouro da Indústria.
No Cávado, a formação decorre no Centro de Juventude de Braga, nos dias 3, 10, 17 e 24 de novembro, e abrange sete temas: introdução ao ESG; descarbonização e eficiência energética; economia circular e resíduos; pessoas, cadeia de valor e comunidade; ética, gestão de risco e transparência; financiamento sustentável; e reporte, certificação e regulamentação.
O objetivo é apoiar as empresas na passagem do diagnóstico à ação, reforçando competências para melhorar processos, gerir riscos e responder às exigências crescentes das cadeias de fornecimento, sem perder de vista a realidade e a capacidade de investimento de cada organização.
“A sustentabilidade tem de ser traduzida em decisões concretas e em melhorias que as empresas consigam acompanhar. O nosso objetivo é apoiar as MPME a perceber por onde começar, que prioridades definir e como integrar estas questões na gestão, reforçando a sua capacidade de competir”, afirma Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP.
As empresas interessadas podem consultar o programa e efetuar a inscrição gratuita.
O projeto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade” pretende apoiar 500 micro, pequenas e médias empresas da região Norte na adaptação à transição verde e digital, promovendo competências, boas práticas e instrumentos que contribuam para um tecido empresarial mais competitivo e resiliente. O projeto é promovido pela AEP e cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional NORTE 2030.
As sessões realizam-se no Centro de Juventude de Braga, nos dias 3, 10, 17 e 24 de novembro.
3 de novembro
• 09h30–12h30: Introdução ao ESG
• 14h00–17h00: Descarbonização e eficiência energética
10 de novembro
• 09h30–12h30: Economia circular e gestão de resíduos
• 14h00–17h00: Pessoas, cadeia de valor e comunidade
17 de novembro
• 09h30–12h30: Ética, gestão de risco e transparência
• 14h00–17h00: Finanças sustentáveis e acesso a financiamento
24 de novembro
• 09h30–12h30: Reporte, certificação e regulamentação
