No próximo sábado, 31 de outubro, o programa Memória do Lugar dedica o seu sexto episódio ao som dos sinos, aos saberes associados à prática sineira e à forma como o registo audiovisual pode fazê-la atravessar o tempo.
Intitulado “O que o som guarda”, o programa decorre entre as 15h00 e as 17h15, na Sé de Braga, e propõe um percurso que começa por aprender a escutar, passa pelo gesto e pela experiência do toque e termina com um concerto para os sinos das duas torres. A Sé dá-se, assim, a ouvir de outra forma.
O episódio nasce entre duas datas próximas: o Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, assinalado a 17 de outubro, e o Dia Mundial do Património Audiovisual, celebrado a 27. A relação entre ambas está no centro do programa: o património imaterial permanece porque é praticado, aprendido, transformado e transmitido; o registo não substitui essa continuidade, mas pode guardar um momento dela – uma voz, um corpo, um gesto, um som, um lugar – e permitir que volte a ser visto e escutado.
Os sinos tornam evidente esta relação entre prática, transmissão e memória. Há saber em quem toca, mas também em quem escuta. Reconhecer um repique, um rebate ou um dobre significa compreender o que aquele som anuncia e situá-lo num determinado momento da vida coletiva. É essa dimensão que abre o programa, às 15h, na Sacristia-Mor da Sé, com Saber escutar – a linguagem dos sinos, a cidade e o tempo, por Elisa Lessa e Rodrigo Teodoro de Paula, do Departamento de Música da Universidade do Minho.
Às 15h30, “O som do gesto” reúne investigadores, músicos e sineiros para uma conversa sobre a prática manual do toque: como se aprende, como se transmite e o que acontece a este saber quando deixa de fazer parte do quotidiano. Participam Elisa Lessa, Rodrigo Teodoro de Paula, Carlos Jerónimo, da Fundição de Sinos de Braga, Hélder Pinto, sineiro de Arentim, e Cristiano Costa, sineiro de Sobrosa. A mediação fica a cargo de João Dias e João Miguel Braga Simões, do Departamento de Música da Universidade do Minho.
Às 16h30, o programa passa da conversa à experiência. No adro da Sé, um carrilhão móvel reúne sinos de diferentes tamanhos e vozes e convida o público a fazê-los soar à mão. A proposta permite experimentar a força e o tempo necessários ao toque e perceber, com o corpo, como nasce o som. Uma mesma sequência será depois tocada manual e mecanicamente. A diferença ouve-se – no ritmo, na expressão e naquilo que o corpo acrescenta ao som.
O episódio termina às 17h com Ressonância – concerto para os sinos da Sé. O toque é manual e a composição articula ritmo e diálogo entre os sinos das duas torres. O som que habitualmente marca, chama e anuncia, transforma-se em música, num concerto interpretado pelo Departamento de Música da Universidade do Minho.
A dimensão de memória audiovisual atravessa todo o episódio. Tiago Pereira, de A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, realizará um registo da prática sineira em Braga.
Todas as atividades são de participação gratuita.
“O que o som guarda” conta com a colaboração do Departamento de Música da Universidade do Minho e da Fundição de Sinos de Braga – Serafim da Silva Jerónimo & Filhos, Lda.
