Uma delegação do PCP esteve à porta do Hospital de Barcelos em contacto com profissionais e utentes alertando para o imperativo de defender e valorizar o Serviço Nacional de Saúde e a construção do novo hospital público de Barcelos. A iniciativa do PCP ocorreu no dia em que foi publicado em Diário da República que o Governo “incumbiu a Administração Central do Sistema de Saúde de preparar e submeter uma proposta devidamente fundamentada para o estudo e preparação do lançamento de uma PPP destinada à conceção, projeto, construção, financiamento, conservação e manutenção do novo hospital”. Coincidiu também com o anúncio feito pela Ministra da Saúde na Assembleia da República da grave intenção “de lançar uma vaga de PPP”.
“Há décadas que as populações de Barcelos e Esposende aguardam pela construção de novas instalações. Este investimento é fundamental para dotar o Hospital de melhores condições de resposta para utentes e de trabalho para os seus profissionais. Sucessivos governos PSD/CDS e PS têm vindo a adiar esta opção. A intenção do actual governo de transformar o Hospital de Barcelos, e vários outros, em Parceria Público-Privada (PPP), transformando a Saúde num negócio dos grupos económicos, não representa um avanço mas uma escolha negativa e arriscada, que submete o interesse público à gula do lucro”, refere o partido em comunicado.
Os comunistas lembram que, após uma visita a Barcelos, a Ministra da Saúde afirmou que o novo Hospital de Barcelos vai funcionar em regime de PPP não se sabendo, ainda, se a PPP avançará já na construção, com o Estado a dividir os custos com os privados, ou se será apenas na gestão. No entanto, segundo a imprensa local, citando fontes próximas do processo, “está definido que, de facto, a gestão será privada, mas ainda está em aberto a hipótese da parceria incluir um investidor privado para a sua construção”. Com as declarações da Ministra e o referido despacho, adensam-se as dúvidas as intenções do Governo sobre o papel dos privados no novo hospital.
O PCP alerta para a falta de transparência do processo, incluindo no que se refere ao despacho n.o 1507/2025, de 3 de fevereiro 2026, aprova a revisão do perfil assistencial, área de influência, dimensionamento e programa funcional do Novo Hospital de Barcelos, que faz referência ao estudo de viabilidade económico-financeira do novo Hospital de Barcelos. Os deputados do PCP na Assembleia da República solicitaram a divulgação deste estudo, “mas, passados 8 meses, o mesmo ainda não foi divulgado”. Os deputados do PCP também questionaram sobre a existência de algum estudo para fundamentar essa opção ou é baseada na linha ideológica do governo? Também não houve resposta concreta.
“Enquanto as populações de Barcelos continuam à espera de um novo hospital prometido há décadas, o Presidente da Câmara, lamentavelmente, serve de arauto da propaganda do Governo em vez de exigir respostas cabais para o problema. A publicação de um despacho para preparar novos estudos e procedimentos não resolve as carências sentidas diariamente por utentes e profissionais de saúde. O despacho publicado não determina a construção do hospital. Determina apenas a preparação de uma proposta e de novos procedimentos administrativos. Depois de décadas de promessas e sucessivos anúncios, as populações de Barcelos dispensam mais estudos, relatórios e grupos de trabalho. O que é necessário é a inscrição das verbas necessárias no Orçamento do Estado e o lançamento imediato da obra”.
Por esta altura decorre na Assembleia da República a discussão na especialidade da proposta de Orçamento de Estado para 2027. Neste quadro, mais uma vez, o PCP vai insistir com propostas para a construção imediata do novo Hospital de Barcelos. “O posicionamento das diversas forças políticas vai ser um elemento importante de clarificação acerca da sinceridade com que dizem defender os interesses das populações que representam”, termina o comunicado.
