O Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica, na Vila de Prado, acolhe esta sexta-feira e sábado, 6 e 7 de novembro, o XI Colóquio Internacional «Caminhos de Santiago», este ano subordinado ao tema «Os Caminhos Ribeirinhos», reunindo investigadores, historiadores, especialistas e estudiosos de Portugal, Espanha, França e Itália.
A sessão de abertura decorreu esta manhã e foi presidida pelo Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Manuel Lopes, contando igualmente com a presença do Presidente da Junta de Freguesia da Vila de Prado, Albano Bastos, de Paulo Sá Machado, Comissário-Geral dos Colóquios Internacionais Caminhos de Santiago e de Olga Fontal, Alcadessa de Triacastela, Galiza.
Na sua intervenção, Manuel Lopes destacou o orgulho do Município em acolher um encontro de relevante interesse histórico, cultural e patrimonial, sublinhando a importância da preservação e valorização dos Caminhos de Santiago enquanto património que atravessa territórios, aproxima comunidades e conjuga espiritualidade, cultura, natureza e identidade.
O Vice-Presidente salientou ainda a importância de continuar a aprofundar o conhecimento, a investigação e a divulgação destes itinerários históricos, valorizando simultaneamente a sua ligação aos territórios e às comunidades que, ao longo dos séculos, acolheram peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.
Também Paulo Sá Machado, Comissário-Geral dos Colóquios Internacionais Caminhos de Santiago, destacou o percurso e a continuidade desta iniciativa, recordando que as dez edições anteriores se realizaram em São Pedro de Rates, com a participação de especialistas de dez países, e sublinhando que a realização do XI Colóquio em Vila Verde resulta de uma proposta acolhida pelo Município.
O Comissário-Geral, evocou o lema «O sonho… continua», valorizando a importância da transmissão e preservação do conhecimento sobre os Caminhos de Santiago e o contributo destes encontros para o estudo, a divulgação e a valorização do património Jacobeu.
Caminhos que ligam territórios, história e património
A primeira comunicação, apresentada por Nuno Ferreira, da Turismo do Porto e Norte de Portugal, incidiu sobre o processo de certificação do Caminho de Torres, recentemente reconhecido como Caminho Português de Santiago, bem como sobre o trabalho de promoção e valorização destes itinerários enquanto produto turístico, cultural e patrimonial estruturante para o Norte de Portugal.
Seguiu-se a intervenção do historiador Cástor Pérez Casal, dedicada ao Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro, um antigo itinerário de peregrinação que estabelecia a ligação entre o Norte de Portugal e Santiago de Compostela.
Este percurso assume uma identidade própria assente em quatro elementos distintivos, História, Natureza, Termalismo e Vinho, e desenvolveu-se ao longo de antigas vias de circulação que, desde a época romana e medieval, serviram populações, viajantes e peregrinos. Ao longo do trajeto foram também surgindo estruturas de acolhimento e assistência aos peregrinos, deixando marcas que permanecem associadas à história e à identidade dos territórios atravessados.
A investigação desenvolvida sobre este caminho permitiu ainda identificar uma antiga rede de hospitais e percursos de peregrinação, contribuindo para reconstruir historicamente um corredor de ligação entre Braga, o Minho e Santiago de Compostela.
Para além da dimensão religiosa e espiritual, os Caminhos de Santiago assumem hoje uma forte componente histórica, cultural, ambiental e paisagística, constituindo também uma oportunidade para promover o turismo sustentável, divulgar o património edificado e preservar as tradições e identidades locais.
Programa internacional de investigação e partilha de conhecimento
Ao longo desta sexta-feira, foram feitas diferentes abordagens ao universo Jacobeu, incluindo os ex-votos nos santuários enquanto testemunhos de devoção, história e arte, o contributo das anteriores edições dos colóquios para a promoção dos Caminhos de Santiago e a importância da investigação histórica na recuperação e valorização destes itinerários.
O programa contemplou ainda comunicações sobre a história do Caminho Português de Santiago, os 1200 anos da descoberta do túmulo atribuído ao Apóstolo Santiago, acontecimento que esteve na génese da peregrinação jacobeia e do desenvolvimento de Santiago de Compostela como um dos grandes destinos de peregrinação europeus, bem como uma abordagem à Via da Prata ou Caminho Mozárabe, no seu percurso pela província de Ourense.
Durante a tarde será igualmente inaugurada a exposição iconográfica «Caminhos de Santiago», comissariada por Paulo Sá Machado, reunindo parte de um espólio construído ao longo de várias décadas de investigação e recolha de documentos, gravuras, imagens e outros elementos relacionados com a história de Santiago e das peregrinações.
Os participantes terão ainda oportunidade de realizar uma visita guiada ao Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica onde se encontra também uma Feirinha de Artesanto.
Novos desafios dos caminhos em debate
Os trabalhos prosseguem amanhã, 7 de novembro, com uma sessão dedicada também aos desafios contemporâneos dos Caminhos de Santiago.
Entre os temas em análise encontra-se a utilização da inteligência artificial e da análise de dados na gestão dos fluxos de peregrinos, propondo novas abordagens à organização e gestão dos itinerários face ao crescimento da mobilidade e da procura.
O programa inclui ainda uma reflexão sobre o impacto do Caminho na Europa e sobre o seu papel enquanto espaço de contacto cultural e linguístico entre povos, nomeadamente através da circulação de peregrinos, religiosos e viajantes entre a Península Ibérica e outros territórios europeus.
A última sessão integra também uma intervenção dedicada a Triacastela, território fortemente ligado ao Caminho Francês, seguindo-se a leitura das conclusões do XI Colóquio Internacional dos Caminhos de Santiago.
Vila Verde reforça valorização dos Caminhos de Santiago
A realização do colóquio em Vila Verde reforça a estratégia municipal de valorização deste património histórico-cultural e religioso, com particular atenção ao Caminho de Torres e ao Caminho Minhoto Ribeiro.
Neste contexto, destaca-se igualmente o Albergue de S. Pedro de Goães, na Ribeira do Neiva, enquanto estrutura de apoio aos peregrinos que atravessam o concelho.
O XI Colóquio Internacional dá continuidade a um percurso iniciado há mais de uma década. As dez edições anteriores decorreram em São Pedro de Rates e contaram com a participação de especialistas de dez países, afirmando estes encontros como espaços de investigação, reflexão e divulgação do património Jacobeu.
Ao acolher esta edição, Vila Verde associa-se a uma dinâmica internacional de preservação e promoção dos Caminhos de Santiago, valorizando-os não apenas como itinerários de peregrinação, mas também como elementos de ligação entre povos, culturas, património e paisagens.
