A candidatura do Bloco de Esquerda às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Braga esteve em Terras de Bouro onde defendeu políticas para combater as assimetrias e desigualdades no distrito e para valorizar os concelhos de baixa densidade populacional.
Acompanhado pela deputada Alexandra Vieira, que ocupa a segunda posição na lista por Braga, e por João Garcia Rodrigues, candidato que representa Terras de Bouro, o líder da candidatura do Bloco, José Maria Cardoso, defendeu “mais apoios à agricultura, uma rede de transportes que sirva toda a população e a proteção efetiva das áreas protegidas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês”.
“Há uma necessidade premente de investimento na agricultura em Terras de Bouro que seja traduzida em apoios e em acompanhamento técnico para que a pequena agricultura, a agricultura extensiva e sustentável seja valorizada e possa ser uma força criadora de emprego, de gestão do território e de fixação de população”, afirmou.
“O que temos verificado no país é que os apoios comunitários à agricultura são quase todos canalizados para os grandes latifundiários do Alentejo e isso é uma injustiça a todos os níveis porque a maior parte dos agricultores do país não têm acesso a qualquer apoio. O Bloco de Esquerda tem-se batido no Parlamento para contrariar esta política injusta do Governo”.
José Maria Cardoso apontou também a falta de transportes públicos como um problema grave no concelho e que importa resolver.
“Não há transportes públicos suficientes entre as freguesias de Terras de Bouro, nem entre este concelho e os municípios vizinhos. Defendemos redes de transporte público coletivo como forma de promover a coesão territorial e o direito à mobilidade. Este é também um importante instrumento de combate à crise climática”, salientou.
Quanto à proteção da natureza, o candidato bloquista lembrou que a Agência Europeia do Ambiente classificou as áreas protegidas portuguesas como as que se encontram em pior estado na União Europeia.
“As áreas protegidas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, foram esquecidas pelo Governo. Temos de proteger efetivamente estas áreas, investindo no planeamento, na recuperação da biodiversidade, na fiscalização, na gestão e na monitorização. As áreas protegidas precisam de equipas técnicas próprias e de orçamentos próprios. Têm de envolver ativamente as comunidades locais na sua gestão”, defendeu.
Nas últimas legislativas, o Bloco de Esquerda elegeu dois deputados por Braga e essa é a “base de partida” para as eleições de janeiro, ressalvando que “agora se abre um novo ciclo” e que “mais força para a esquerda é a garantia da defesa do Serviço Nacional de Saúde, do salário e do clima”.
Os bloquistas dizem ter dois “objetivos muito concretos” para estas eleições. “Evitar uma maioria absoluta do PS”, porque a “história recente das maiorias absolutas mostra o fracasso que elas foram para as populações”. O outro objetivo do partido passa por “travar o crescimento da extrema-direita, pois ela representa um ataque à democracia e aos direitos de todos os cidadãos”.
