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Transformação do mundo pela dança prossegue até 12 de fevereiro com o GUIdance

A Oficina, em Guimarães, prossegue a sua missão transformadora com as artes e a criação como grandes agentes de inspiração e motivação, de cariz inclusiva e agregadora, com abertura ao novo, como quem diz ao ainda desconhecido e por explorar.

E assim se faz e fez o caminho ao longo da primeira semana de espetáculos da 11ª edição do GUIdance – com criações de Sofia Dias & Vítor Roriz, Moritz Ostruschnjak, Maria Fonseca e Peeping Tom – realizada com a essencial participação em força do público, que demonstra a vontade de ser parte operante nas transformações ambicionadas para o nosso mundo com a arte, e a dança em particular, a instigar e desassossegar os ânimos de forma livre e luminosa.

A segunda vaga de espetáculos do GUIdance 2022 vem a caminho e demonstra, já a partir desta quarta-feira, 9 de fevereiro, todo o vigor da criação com os projetos Um gesto que não passa de uma ameaça, de Sofia Dias & Vítor Roriz, O Susto é um Mundo, de Vera Mantero, Cabraqimera, de Catarina Miranda, e as estreias de Body Monologue, de Anastasia Valsamaki, e Hands do not touch your precious Me, de Wim Vandekeybus. A masterclass com a companhia Ultima Vez, de Wim Vandekeybus, o debate “Desfiguração Transformação”, conversas pós-espetáculo com artistas, embaixadores da dança e um ensaio aberto para escolas compõem as atividades projetadas para os próximos dias deste festival internacional de dança contemporânea.

A ambicionada mundança (palavra inexistente, surgida da ousadia de fundir a palavra “mundo” com a palavra “dança”, para gerar uma ação intencional: a mudança do mundo pela dança) continua a sua marcha a partir desta quarta-feira, 9 de fevereiro, com Sofia Dias & Vítor Roriz a apresentarem-se às 21h30 no Centro Cultural Vila Flor (CCVF).

A dupla de coreógrafos em destaque desta 11ª edição do GUIdance protagoniza o salto para a segunda semana do festival com um gesto que não passa de uma ameaça, aqui apresentado numa remontagem do premiado e viajado espetáculo que em 2012 se apresentou em Guimarães, em plena Capital Europeia da Cultura, com os próprios a pisar o palco na interpretação deste espetáculo.

O roteiro proposto pela viagem desta edição brinda-nos no dia seguinte com O Susto é um Mundo, peça de uma das mais reconhecidas criadoras nacionais da dança contemporânea, Vera Mantero, que aqui assume a cocriação e a interpretação com Henrique Furtado Vieira, Paulo Quedas e Teresa Silva, aos quais se junta ainda João Bento também responsável pela criação sonora. Vera Mantero e toda a sua equipa de criação inspiraram-se no psicanalista Carl Jung, no antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e no professor de ética Jonathan Haidt para explorar tanto a ideia de contradição como a possibilidade da relação e da junção entre opostos, enquanto mecanismos de diálogo e de fricção.

O resultado desta que é outras das coproduções d’A Oficina, juntamente com a Fundação Caixa Geral de Depósitos – Culturgest, Teatro Municipal do Porto e Teatro Viriato, explora alguns antídotos para os sustos do nosso presente, colocando-nos perante o inconsciente, uma quase entrada no mundo dos sonhos, através de uma linguagem simbólica e simultaneamente quotidiana, ensaiando uma reconexão com a natureza e um combate a todos os sustos do mundo. Esta peça pode vista no dia 10, às 21h30, no CCVF.

O penúltimo dia desta edição do festival traz-nos Cabraqimera, espetáculo de Catarina Miranda que nos cruza o olhar com um quarteto em patins que nos confronta com uma contemporaneidade simultaneamente física e tecnológica, onde um sistema de organização espacial, baseado em desportos de velocidade, estabelece um conjunto de códigos de ocupação, interceções e encontros. Cabraqimera é a peça de dança que pode ser assistida no dia 11, sexta-feira, pelas 21h30, na Black Box da Fábrica Asa.

O sábado, 12 de fevereiro, é o dia derradeiro da edição de 2022 do GUIdance, e proporciona-nos a oportunidade de contactarmos com duas criações com formatos bem distintos, desde uma performance a solo durante a tarde para uma atuação conjunta de 10 intérpretes à noite. Às 18h30, a jovem coreógrafa grega Anastasia Valsamaki apresenta na Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) a peça Body Monologue, interpretada pela bailarina Gavriela Antonopoulou, recuperando uma questão não respondida e evidente em palco: “o que pode um corpo fazer?”.

Valsamaki centra-se na estrutura do monólogo, mas em vez de o verbalizar com significados, repele-os ao regressar ao silêncio pré-linguístico e eloquente do corpo que se expressa à medida que se move. Um silêncio feito de gestos, pausas, formas maleáveis e estados corporais desconhecidos que mobilizam o nosso olhar. Uma conversa oculta que substitui a rigidez dos significados verbais pela fluidez dos significados que o corpo consegue “falar” através da dança.

A terminar esta celebração (da potência) do corpo e da dança, o multifacetado coreógrafo (e também bailarino, realizador e fotógrafo) Wim Vandekeybus assinala o seu regresso ao palco do CCVF para apresentar Hands do not touch your precious Me a partir das 21h30.

Neste espetáculo, o criador belga tece um conto mítico de confronto e transformação, luz e escuridão, morte e renascimento. Para a criação deste universo, o coreógrafo convoca, pela primeira vez, o performer e artista visual Olivier de Sagazan, cujo trabalho assenta na transfiguração do corpo e do rosto.

A ação desta semana do festival traduz-se também nas atividades paralelas que continuam a dar cartas com a masterclass com a companhia Ultima Vez, de Wim Vandekeybus (11 fevereiro), que garante a continuidade de uma das importantes dimensões do festival, a formação; a Parte II do debate “Desfiguração Transformação” (12 fevereiro, 16h) na Sala de Conferências do CIAJG, com moderação de Cláudia Galhós e participação de Catarina Miranda, Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão, no qual o público também é convidado a interagir; conversa pós-espetáculo (Talks) no dia 12 com a criadora Anastasia Valsamaki (criadora selecionada pela rede europeia Aerowaves da qual A Oficina faz parte), alimentando a via aberta entre público e artistas num momento de proximidade descontraído e interativo; visita da criadora Vera Mantero a escolas de Guimarães para partilha dos seus percursos, experiências de vida e visões artísticas em contexto de sala de aula numa ação denominada Embaixadores da Dança, convidando ainda os alunos a fazerem o caminho inverso para conhecerem ao vivo as respetivas criações apresentadas no contexto do festival; e ainda um ensaio aberto em que escolas de dança da região são convidadas a assistir a um ensaio do espetáculo O Susto é um Mundo, de Vera Mantero, seguido de uma conversa com Cláudia Galhós.

Os bilhetes para os próximos espetáculos encontram-se disponíveis por valores entre os 5 e os 10 euros, assim como as assinaturas do GUIdance 2022 – que garantem acesso a 3 ou 5 espetáculos à escolha por 20 ou 30 euros, respetivamente –, podendo ser adquiridos online em aoficina.pt e presencialmente nas bilheteiras de equipamentos geridos pel’A Oficina como o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória de Guimarães (CDMG) ou a Loja Oficina (LO), bem como nas lojas Fnac, Worten e El Corte Inglés.

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