A casa que já foi quase tudo na Vila de Prado, desde sede de concelho, tribunal, moradia de escritor, vai agora ser transformada no centro interpretativo do artesanato em cerâmica. Situado no Lugar da Vila, o edifício vai ser alvo de uma requalificação orçamenta em mais de 356 mil euros, 63,5% dos quais financiados por fundos europeus.
O lançamento da primeira pedra decorreu, esta manhã, numa cerimónia que contou com a presença de todos os artesãos pradenses, foi animada por Rogério Braga e Inês e benzida pelo padre João Correia. O município investe cerca de 200 mil euros, num projeto desenhado por um arquiteto municipal e que se prevê que esteja pronto dentro de um ano.

Segundo explicou Pedro Lemos, a ideia “é manter o antigo, nomeadamente as alvenarias em granito da fachada principal”. No interior haverá uma área para oficina com forma para a realização de peças em barro, um pequeno auditório e um espaço museológico dividido pelo rés-do-chão e por uma plataforma intermédia ‘solta’ do resto do edifício. Um foyer e um logradouro onde será a receção completam o projeto.
O presidente da Junta de Prado, Albano Bastos, não escondeu “a alegria para este grande dia para a vila de Prado. É um edifício que estava em risco de ruína e que com este projeto vai ser recuperado”. Pra o autarca, “faz todo o sentido que seja dedicado à cerâmica porque a Vila de Prado é famosa pela sua loiça preta. Ainda, hoje temos artesãos reconhecidos lá fora e que continuam a crescer nesta arte”.

Segundo Albano Bastos, o edifício vai ter peças antigas sobre esta arte mas, também “irá ser possível por as mãos na massa, fazendo peças em barro”. À presidente da câmara, que presidiu a cerimónia, o presidente da junta pediu a requalificação do largo em frente ao futuro centro interpretativo: “será uma requalificação manca”.
Júlia Fernandes manifestou a sua preocupação “pelas gerações mais novas não se interessarem por esta arte” e por isso, é necessário “trabalhar para preservar estes ofícios”, senão, “corremos o risco que fiquem para a memória”. A requalificação do antigo tribunal tem como objetivo “dar uma vida nova” ao espaço, tornando-o “um centro dinâmico à volta da cerâmica, com oficinas de experimentação e a vista de escolas e todos os que querem”.
Autarca que aceitou o repto de avançar para a requalificação do largo: “não foi possível integrá-lo na candidatura, mas faz todo o sentido que seja alvo uma beneficiação”, transformando-o” numa belíssima entrada”.







