Um medalhão e um anel são as propostas concebidas pela designer amarense Sylvie Castro para celebrar os 100 anos do nascimento de Natália Correia. Um desafio lançado pela orientadora de doutoramento, que está a fazer na Universidade dos Açores. “Uma ideia que concretizei em meio ano, onde pensei na criação de uma joia que celebrasse os seus anos de nascimento de Natália Correia”.
Os Açores têm uma série de iniciativas para assinalar a data, uma delas um colóquio, em novembro, onde as peças serão apresentadas oficialmente. No entanto, a verdade, é que alguns bracarenses já tiveram a oportunidade de ver ao vivo as duas joias, numa conferência na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva de homenagem à poetisa, promovida pelo grupo ‘Face To Face, Book To Book, do qual Sylvie faz parte. “Tive oportunidade de ler poemas da Natália, no que foi uma estreia para mim”.
Antes 12 pessoas do grupo bracarense tiveram a possibilidade de se deslocar ao ‘Botequim’, em Lisboa, poiso predileto de Natália, para conhecer uma pouco mais da sua história. “Na altura, conhecemos o jornalista Fernando Dacosta que conviveu muito de perto com ela durante 28 anos e que nos contou imensos episódios da vida dela”.

Um deles, Sylvie espera ‘experimentar’ em breve: Estar na Lagoa do Fogo às 3 da manhã e falar com a lua, uma das predileções de Natália Correia. Foi embebida em todo este ambiente que surgiu a conceção das duas joias.
A peça central “é inspirada no brinco à rainha D. Maria II, que para mim, é um ícone do que é a mulher portuguesa e Natália era genuinamente uma mulher portuguesa”. Depois há um medalhão mais pequeno com uma hortência e em porcelana. “São das flores mais referidas por Natália”. Tudo isto em filigrana, com tons de azul “do Atlântico”.
Finalmente há uma forma pendular remetendo para o útero, “que só as mulheres têm e que define a defesa da mulher da qual Natália foi porta-voz”. Também o anel remete para esta simbologia uterina associada com as andorinhas.
A artista revela ao ‘Terras do Homem’ que “era para ser uma peça única, mas nos Açores desafiaram-me a reproduzi-la e vou avançar com uma série limitada, até porque já tenho algumas encomendas”.
