É a primeira vez que, em Portugal, se realiza uma exposição de lotarias aberta ao público. Os bilhetes foram cedidos pelo colecionador António Meireles Martins, de Guimarães, e a mostra pode ser vista até 6 de abril na Biblioteca Municipal de Vila Verde.
Expostas cautelas desde 1940, muitas delas exclusivas, que como explicou Capela Miguel, “são milhões de euros que nunca saíram.”. De um lado estão referências ao Céu, com obras de arte ligadas à religião, no lado da Terras, homens, sobretudo reis e exploradores que elevaram o nome de Portugal. Pelo meio há cartazes e lotarias para todos os gostos.

Integrado no programa ‘Aqui Há Cultura’ que decorre todo o ano, a exposição marca o arranque oficial do programa. “O pontapé de saída é dado com uma exposição inédita, com um espólio riquíssimo de cautelas”, referiu a presidente da câmara, Júlia Fernandes, na abertura da mostra. “É uma exposição interessante e original” lembrando que Vila Verde já teve uma premiada, “que fosse conhecida”, que se tornou benemérita ajudando, de forma anónima, muitos dos seus conterrâneos em Aboim da Nóbrega, onde construiu um lar com o seu nome”.
O diretor da EPATV, João Luís Nogueira, lembrou que “entre a sorte e o azar fica a competência” e ‘brincando com o nome da exposição ‘Do Céu à Terra’, acrescentou: “as cautelas, quando premiadas, levam-nos da terra ao céu. Muitas delas alimentaram os sonhos dos nossos avós”.

Aos alunos da EPATV e da Escola Secundária presentes, Capela Miguel contou que “a lotaria foi criada por uma rainha, há 200 anos, para fazer face à pobreza era grande. A Casa Real decidiu criar o jogo por duodécimos gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O dinheiro arrecada pela venda dos bilhetes vai para um bolo do qual é retirado 1/10 para os prémios e o restante é para a solidariedade, para ajudar famílias com carências comprovadas”.
A terminar, Capela Miguel, não resistiu: “o número da sorte não é para quem está a contar é para quem não está à espera”.
Lotarias
As lotarias são jogos bem conhecidos da população e que se realizam todas as semanas e todos os meses do ano. As folhas de papel, denominadas de bilhetes inteiros, divididos em frações permitiram, ao longo dos anos, o apoio a carências, instituições e pessoas que somente deste forma puderam sobreviver, enquanto outras bafejadas pela sorte, recebiam os diferentes prémios da dita lotaria em conformidade com a sua contribuição.
A exposição em Vila Verde é uma oportunidade única para viajar aos segredos dos jogos das Lotarias, aprender e compreender a sua importância e o fabuloso e pouco conhecido contributo dado para o apoio, sobrevivência e subsistência de todo o sistema de apoio social e cultural que já existe há séculos no nosso país.





