A diretora do Agrupamento de Escolas de Amares, Flora Monteiro, dá conta do trabalho que está a ser feito para que o arranque do novo ano letivo não sofra muitas perturbações.
Que indicações têm as escolas e as autarquias referentes ao novo ano letivo?
Recebemos um conjunto de orientações da DGE e da DGEStE, quer de ordem técnica, quer de cariz mais pedagógico. Naturalmente que é solicitado o distanciamento social, sempre que possível e o cumprimento das normas de segurança e higienização dos espaços, bem como a recuperação das aprendizagens não realizadas e a preparação das escolas para um ano que será também diferente.
No presente ano letivo está prevista a possibilidade de o processo de ensino e aprendizagem se desenvolver em três regimes:
a) «Regime presencial», aquele em que o processo de ensino e aprendizagem é desenvolvido num contexto em que alunos e docentes estão em contacto direto, encontrando-se fisicamente no mesmo local;
b) «Regime misto», aquele em que o processo de ensino e aprendizagem combina atividades presenciais com sessões síncronas e com trabalho autónomo;
c) «Regime não presencial», aquele em que o processo de ensino e aprendizagem ocorre em ambiente virtual, com separação física entre os intervenientes, designadamente docentes e alunos;
O ano letivo funcionará no regime presencial como regime regra e os regimes misto e não presencial como exceção. Os regimes misto e não presencial aplicam-se quando necessário, e preferencialmente, aos alunos a frequentar o 3.º ciclo do ensino básico e o ensino secundário, podendo alargar-se excecionalmente aos restantes ciclos de ensino, em função do agravamento da situação epidemiológica da doença Covid-19.
Continuaremos a contar com a autarquia como um dos principais parceiros para responder a questões de natureza social, económica e tecnológica. A Associação de Pais tem sido também uma colaboração preciosa no desenrolar de todas as atividades.
Como está a ser preparado?
Está a ser preparado com muito cuidado, tentando atender a todas as novas situações provocadas por esta anormalidade. Todos desejamos um ensino presencial, mas a escola de setembro de 2020 não será a mesma dos anos anteriores.
Estamos a elaborar um projeto que contemple os três planos mencionados. Será preparado um plano de saúde que se revelará fundamental para o cumprimento e a eficácia de todas as questões de segurança na saúde pública, quer física, quer mental.
Tendo em linha de conta os constrangimentos provocados pela pandemia (gestão dos espaços, intervalos, funcionamento dos serviços, nomeadamente das cantinas e bares), os horários das turmas serão concentrados, ao máximo, num dos períodos do dia, manhã ou tarde, evitando-se, sempre que possível, os dias de períodos mistos. Esta distribuição de turmas pelos dois turnos deverá ser o mais equilibrada possível, tentando assim, garantir a presença do menor número de alunos em simultâneo nas escolas.
Assim, de acordo com decisões do conselho pedagógico, alguns anos funcionarão tendencialmente de manhã e outros anos de escolaridade terão as suas aulas prioritariamente no turno da tarde. Tentaremos concentrar as aulas de cada turma numa mesma sala. Diariamente as escolas serão desinfetadas, de acordo com todas as normas.
Não será fácil lidar com toda esta situação. É necessário que impere a serenidade e o bom senso. Faremos formação com docentes e assistentes de modo a ajudar a estabelecer esses critérios de serenidade junto das nossas crianças e jovens, bem como das famílias.
Mas não podemos esquecer que todos os colaboradores da educação, desde os professores, aos assistentes técnicos e operacionais, aos psicólogos e técnicos especializados, são também pais, tios, filhos, etc… o que implica que possuam os mesmos receios que os restantes elementos da sociedade.
A escola não parou para férias. Todos os dias trabalhamos para preparar o próximo ano letivo. Todos os dias procedemos à realização de tarefas que permitam minimizar os condicionalismos existentes.
Quais são os principais constrangimentos que acha que podem vir a existir?
Creio que o maior constrangimento será de ordem emocional. É fundamental estarmos preparados para combater receios, angústias, ansiedades e medos que as crianças/jovens e os adultos possam trazer consigo.
Se uns se preocupam mais com questões de saúde física, exigindo um rigor extremo nas questões técnicas de higiene e saúde, outros estão mais receosos com as questões de ordem mental/emocional e pedem-nos ajuda para lidar com os jovens e os seus receios. Tentaremos dar a melhor resposta a cada contexto e a cada situação.
Outro cenário a ter em conta será a dificuldade económica e social que já se instalou em muitas famílias e isso será sempre um fator condicionante de toda a escola, de todo o processo. E nós estaremos atentos.
Uma grande dificuldade será, também, atender às orientações da DGS sobre o distanciamento social, fazendo a gestão dos espaços, das salas de aula, dos laboratórios, das bibliotecas, dos intervalos, do funcionamento dos serviços, nomeadamente das cantinas, bares e livrarias, com centenas de jovens em simultâneo no espaço escolar. Mesmo optando pelo desdobramento do horário, o distanciamento não será fácil.
As turmas não diminuíram e a escola não aumentou. O corpo docente e não docente manteve-se inalterado. Assim, temos turmas grandes onde os alunos não poderão estar distanciados de acordo com o preferível. Com setecentos alunos numa escola, ou 500, ou 200… como se distanciam todas as turmas em intervalos, em refeições, em lanches, em momentos de pausa, ou dentro de uma sala?….
Faremos o melhor, mas cada cidadão (seja elemento da comunidade escolar, seja colaborador, terá de ter responsabilidade e consciência cívica, de modo a podermos levar o navio a portos seguros.
A nível local, haverá alguma novidade?
Creio que as dificuldades e soluções que esta comunidade poderá encontrar para as suas oito escolas serão muito semelhantes às do resto do país. Temos respondido da melhor forma possível, tentando ir ao encontro de soluções de caráter pedagógico e também de âmbito social, na ajuda a muitos alunos e suas famílias.
O principal que desejamos é que tudo corra bem, que a comunidade educativa trabalhe em parceria e colaboração de modo a que se possa garantir o presente, para ganhar o futuro.
Os problemas com as matrículas atrasaram a preparação?
O maior atraso foi provocado pelo alargamento do final do ano letivo. A partir daí tudo se prolongou, quer pelo atraso da avaliação final, quer pelo processo de matrículas, quer por todos os trabalhos de organização do próximo ano, em simultâneo com o encerramento deste ano, com todas as nuances que isso implica. O processo negocial da constituição de turmas e recursos humanos foi muito curto e apressado, obrigando a esforços enormes para que fosse possível cumprir os prazos estipulados.
Todas as previsões e grande decisões para o próximo ano tiveram de ser efetuadas em pouco dias e as orientações para decisão por parte dos grandes órgãos das escolas viram o seu tempo afunilado para o desenvolvimento do seu trabalho. No entanto, as grandes metas foram estabelecidas e estamos a trabalhar para que o início de setembro seja profícuo na tomada de algumas decisões e na elaboração de estratégias para implementar no próximo ano.
Qual o universo dos alunos em Amares?
A população das nossas escolas manteve sensivelmente os números do ano anterior, com cerca de 2200 alunos distribuídos pelo Pré-escolar com cerca de 365 crianças; 1º ciclo 530 crianças, 2º ciclo 345, 3º ciclo 520 e Secundário 425 jovens. Entre o 1º ciclo e o ensino secundário constituímos 86 turmas.
