Militares portugueses envolvidos em ação de combate na República Centro-Africana

A companhia portuguesa, que compõe a Força de Reação Rápida (Quick Reaction Force – QRF) da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), no cumprimento de ordens emanadas pelo Comando daquela operação de “capacetes azuis”, foi projetada, no final do mês de julho, para participar numa operação na região de Bocaranga, localizada 550 km a Noroeste da capital Bangui.

A missão prioritária da Força Portuguesa foi a proteção da população civil local, através da dissuasão e restrição de movimentos de elementos afetos ao grupo armado 3R (Regresso, Reclamação, Reconciliação), e contribuir para a melhoria da situação de segurança na região de Bocaranga.

Esta operação da MINUSCA surgiu na sequência de vários ataques realizados por elementos do grupo armado 3R, contra civis, Forças Armadas Centro-Africanas e Forças da MINUSCA, que, em manifesto incumprimento com o estipulado nos Acordos de Paz assinados em fevereiro de 2019, entre o Governo da República Centro- Africana e os grupos armados, se encontrava a hostilizar a população e a operar fora da Região de Koui (cerca de 25 quilómetros a oeste de Bocaranga), à qual deveria estar circunscrito.

No dia 14 de agosto, a Força Portuguesa encontrava-se a realizar uma operação de patrulhamento, no itinerário entre Yade e Koui, onde anteriormente tinham sido lançados ataques e emboscadas às Forças da MINUSCA, com armamento pesado, Lança Granadas Foguetes (RPG) e explosivos.

No decorrer desta ação, foi detetado, através de meios aéreos (veículos aéreos não tripulados do Exército Português), um acampamento, a 10 Km de Koui, onde se encontravam elementos armados com RPG e espingardas de assalto.

Este facto foi avaliado como uma ameaça iminente e potencialmente letal para a Força Portuguesa, o que levou os Paraquedistas a solicitar, de imediato, o apoio aéreo (helicóptero Mi17 do Sri Lanka, de prevenção na Base da MINUSCA em Bocaranga) e a agir, em consonância com os procedimentos operacionais em vigor, para neutralizar esta posição.

Inicialmente, os nossos militares dispararam granadas de morteirete, em estreita coordenação com o helicóptero, no qual se encontrava um controlador aéreo avançado da Força Aérea Portuguesa.

No evoluir da operação, a Força deslocou-se ao local onde tinha sido identificada, pelos drones, a presença de elementos armados. Neste deslocamento, foi alvo de fogo dos elementos do Grupo 3R, que atingiram duas viaturas da Força, o que levou a uma reação com o disparo das armas destas viaturas.

De seguida, parte da Força apeou – em condições de contacto – e esteve em combate ao longo de mais de três horas, tendo neutralizado três posições dos 3R.

Desta ação de combate não resultaram feridos na Força Portuguesa.

Nos trabalhos subsequentes de recolha de indícios no acampamento do grupo armado, foram identificados diversos equipamentos de comunicações e alguns artigos de vestuário e armamento improvisado, que foram apreendidos.

A Força continuou a sua missão, tendo regressado à base da MINUSCA em Bocaranga, sem registo de mais nenhum incidente.

Na base, foi possível observar, em duas viaturas Blindadas Pandur, as marcas de tiros , disparados por elementos do Grupo Armado.

Este tipo de operações é realizado com o empenhamento de diferentes tipologias de viaturas blindadas Pandur, incluindo, as viaturas com arma controlada remotamente, de recuperação e ambulância, bem como com as Viaturas Blindadas VAMTAC ST5, recentemente enviadas para a República Centro-Africana, e utilizadas pela primeira vez em combate.

Esta é a 7ª Força Nacional Destacada neste teatro de operações, sendo o atual contingente composto por 180 militares, maioritariamente tropas especiais Paraquedistas do Exército Português, integrando ainda militares de outras unidades do Exército e Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea.

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