Amares

‘100 Máscaras’ o projeto pioneiro criado no Agrupamento de Escolas de Amares

Não é comum um Agrupamento de Escolas desenvolver um projeto de promoção do livro e da escrita como aquele que, desde 2003, vem sendo desenvolvido em Amares. Todos os anos é editada uma publicação de trabalhos escritos pelos alunos sobre as mais diferentes temáticas. Este ano, as máscaras e o confinamento apelaram à criatividade e “mesmo em tempos difíceis não quisemos de deixar de publicar este livro”, referiu a diretora na apresentação.

Para Flora Monteiro, “é um momento histórico porque poucas escolas no país têm capacidade fazer isto e dá-me um orgulho imenso”, acrescentando que “não é qualquer escola que tem professores, alunos e um Município disponíveis e com capacidade para este tipo de trabalho”.

Em abril, em pleno confinamento, foi lançado aos alunos o desafio de se expressarem sobre a situação incomum que estavam a passar. Houve quem desenhasse, fizesse músicas, escrevesse poemas e textos. Estes últimos estão vertidos no livro e todas as outras formas serão alvo de uma exposição “que terá que ficar para mais tarde”.

“Muita coisa se construi durante o confinamento e construi-se, também, o futuro do concelho”, referiu, ainda, Flora Monteiro.

O professor bibliotecário com o apoio de mais duas professores, coordenou a edição de ‘100 Máscaras”, uma referência à situação atual. “2020 será lembrado como o ano das máscaras que tapam rostos, que nos protegem do vírus, mas escondem as expressões que tornam cada um diferente dos outros”, disse Jorge Carvalho.

Inicialmente a ideia é que a publicação tivesse 100 textos, “acabaram por ser quase 120”. Também a própria capa surge de uma particularidade: “as máscaras impedem-nos de ver e nós tínhamos aqui à nossa frente, na biblioteca, um painel com 18 anos muito forte, expressivo que nunca o vimos como deveria ser visto”. ‘Recortado’ tornou-se o rosto do livro.

O Vereador da Cultura, Isidro Araújo, lembrou que “este projeto faz-se em contínuo desde 2003” e que “se poderão fazer teses de doutoramento sobre escrita, leitura, cultura com base no trabalho desenvolvido na Escola. Não é igual fazer um livro destes em Amares ou em Lisboa porque cada um tem a sua marca própria e é isso que tornam os projetos únicos”.

A edição da obra completa de Sá de Miranda vai ser uma realidade, mas para Isidro Araújo “mais importante, se calhar, é o concurso literário porque apela à criatividade, à leitura e é isso que fica para o futuro”.

Três partes
O livro tem uma primeira seção congregando os textos premiados no concurso literário Sá de Miranda, que já vai na décima edição. Seguem-se os textos produzidos durante o período de confinamento e depois muitos outros trabalhos reunindo expressões poéticas e textos em prosa com registos diversos que passam pelos ensaios, contos, etc.

Esta edição surge mais uma vez enquadrada na dinâmica do projeto ‘ParAmares a Leitura’ numa parceria com a Biblioteca Municipal Francisco Sá de Miranda com o objetivo de promover o sucesso escolar dos alunos.

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