Detetor de neutrinos encontra novo tipo de ‘partícula fantasma’ do Sol

Borexino, um enorme detetor de partículas subterrâneo na cordilheira dos Apeninos, em Itália, descobriu um tipo de neutrino, nunca antes visto, vindo do Sol.

Os neutrinos são partículas ultraleves produzidas em reações nucleares, sendo que a maioria dos neutrinos detetados na Terra são produzidos pelo Sol. Na década de 1930, os cientistas sugeriram que a nossa estrela também produzia um outro tipo de neutrino através de reações que envolviam carbono, nitrogénio e oxigénio – os neutrinos CNO.

Segundo o New Atlas, o Borexino, um detetor de partículas subterrâneo que se localiza em Itália, encontrou estas partículas pela primeira vez.

Apesar de este tipo de reação ser responsável por uma pequena fração da energia do Sol, em estrelas mais massivas pode ser o principal condutor de fusão. A recente descoberta, cujo artigo científico foi publicado na Nature, significa que os cientistas conseguiram decifrar o ciclo de fusão solar.

Detetar neutrinos não é uma tarefa fácil, já que muito raramente interagem com a matéria, e os sinais de neutrinos CNO são ainda mais difíceis de detetar – as suas assinaturas são muito semelhantes às das partículas produzidas pelo enorme balão de nylon que envolve os hidrocarbonetos líquidos que o Borexino usa como detetor.

Para ultrapassar esta dificuldade, a equipa passou vários anos a ajustar a temperatura do detetor de partículas para desacelerar o movimento do fluido, concentrando-se nos sinais vindos do centro. Em fevereiro, a equipa conseguiu captar o sinal que há tanto tempo ansiava encontrar.

Como a parte central do detetor se tornou ainda mais sensível, novas descobertas podem vir a caminho. Estes dados ajudam a comunidade científica a entender o ciclo de fusão das estrelas e a descobrir o quão “metálico” é o Sol.

Liliana Malainho, ZAP //

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