Curiosidades

Revelados os guardiões secretos do livro de orações de Ana Bolena

Antes de ser executada em 1533, Ana Bolena passou secretamente entre as suas amigas uma coleção de orações. Agora sabemos quem protegeu o livro dos olhos do rei.

Ana Bolena foi a segunda esposa do rei Henrique VIII e rainha consorte do Reino de Inglaterra, de 1533 até à anulação do seu casamento, dois dias antes da sua execução em 1536.

Este ano marca o 485.º aniversário da sua decapitação. O “Clube do livro de Ana Bolena” tem sido uma das histórias mais mediáticas nos media.

Em causa está uma coleção de orações pertencentes a Ana Bolena que, de acordo com um artigo do Smithsonian, “foi secretamente distribuída entre as suas amigas nobres após a sua execução”.

Quase meio milénio depois da morte, uma investigadora inglesa revelou uma lista secreta de nomes que protegeram o Livro de Orações de Ana Bolena depois de ela morrer.

O Livro de Orações de Ana Bolena poderá ter sido apenas um dos vários livros, incluindo um “livro de horas”, guardado no Castelo de Hever, em Kent, que foi a sua casa de infância. Os livros de horas explicavam aos leigos certos elementos do breviário utilizado pelos padres, contendo algumas preces e salmos.

Três livros de horas de Ana Bolena sobrevivem até hoje. O mais velho dos três é precisamente o que está em exposição no Castelo de Hever. É este que contém a inscrição “O tempo virá”, que Ana Bolena escreveu abaixo de uma imagem da Ressurreição dos Mortos.

A investigadora Kate McCaffrey aplicou luz ultravioleta para revelar um conjunto de “nomes nunca antes vistos inscritos no livro”, pertencentes àqueles que o protegeram após a trágica e controversa morte da rainha.

Segundo o Ancient-Origins, McCaffrey examinou aquilo que descreveu como “manchas de danos causados por água”, que a luz ultravioleta revelou esconderem nomes nunca antes vistos.

Segundo a investigadora, as amigas de Ana Bolena arriscaram enfrentar a ira do rei para salvar o livro.

Os nomes estão todos identificados como sendo da sua confiança nos seus últimos dias de vida. Entre os nomes está um político da corte do rei Henrique, Sir John Gage, a sua esposa Philippa e a sua irmã Elizabeth Shirley.

No entanto, embora os nomes tenham sido revelados, não se sabe exatamente como é que o livro passou de Ana Bolena para as outras mulheres após a sua execução. McCaffrey sugere que o livro foi passado entre uma rede de conhecidos após a sua morte.

Um divórcio que dividiu a Igreja
O casamento de Ana Bolena com Henrique VIII foi muito polémico na época, visto que o rei anulou o seu casamento com Catarina de Aragão para que se pudesse casar com Bolena.

O Papa Clemente VII não aprovou o divórcio de Henrique VIII e Catarina de Aragão e, posteriormente, o casamento deste com Ana Bolena. Isto deu início à rutura religiosa entre Inglaterra e a Igreja Católica Romana, resultando na criação da Igreja Anglicana.

Ana Bolena foi mandada investigar por alta traição em abril de 1536. Em 2 de maio, foi presa e enviada para a Torre de Londres e, mais tarde, foi acusada e condenada por adultério, incesto e conspiração para matar o rei.

Os historiadores modernos acreditam que as acusações contra Ana Bolena foram injustas. Entre os cinco homens que foram presos, com quem foi acusada de cometer adultério, estava, por exemplo o seu próprio irmão George. A bota não bate com a perdigota, sugerem os historiadores.

Daniel Costa, ZAP //

Deixe um comentário