Seja em que circunstância for, cada movimento conta!

A pandemia Covid-19 tem tido um impacto muito significativo na diminuição dos níveis globais de atividade física. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já reforçou a importância do exercício físico, neste período tão crítico para a saúde, salientando que o comportamento sedentário e baixos índices de atividade física, poderão ter um impacto muito negativo, na saúde, bem-estar e qualidade de vida da população.

Em 2017 apenas 5% dos portugueses fazia desporto de forma regular, contra 74% que nunca ou raramente praticava, um aumento de 8% nos últimos 8 anos. À inatividade física, juntam-se o excesso de peso e obesidade representando um dos principais problemas de saúde pública a nível mundial, dada a sua associação ao aumento da morbimortalidade.

Num momento em que muitas pessoas se encontram em casa devido à COVID-19, a OMS lançou novas recomendações para a atividade física e comportamento sedentário. O documento, em 2020, foi agora traduzido para a língua portuguesa pelo PNPAF.

São seis princípios básicos do documento:

1-A atividade física é boa para o coração, o corpo e a mente;

2-Qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, e quanto mais melhor;

3-Toda a atividade física conta;

4-O fortalecimento muscular beneficia toda as pessoas;

5-Demasiado comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde;

6-Todas as pessoas podem beneficiar com o aumento da atividade física e redução do comportamento sedentário, incluindo mulheres grávidas e no pós-parto e pessoas com doenças crónicas e deficiências.

As novas diretrizes recomendam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana para todos os adultos, incluindo pessoas com doenças crônicas ou incapacidade, e uma média de 60 minutos por dia para crianças e adolescentes.

As crianças e adolescentes, entre os 5 e os 17 anos, de praticar pelo menos 60 minutos de atividade física, três dias por semana, sustentando que nesta faixa etária o exercício melhora a saúde cardiometabólica, óssea e mental; a cognição e a redução da gordura corporal.

Nos adultos, entre os 18 e os 64 anos, a atividade física reduz a mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares; a incidência de hipertensão, de alguns tipos de cancros, e da diabetes tipo 2; melhora a saúde mental, o funcionamento cognitivo e o sono. Para estes a recomendação é de 150 a 300 minutos de atividade moderadas ou de 75 a 150 minutos de atividades vigorosa .

Nos idosos, além dos benefícios descritos para o grupo anterior, o plano ressalva que a atividade física ajuda a prevenir quedas e lesões relacionadas, e o declínio da saúde óssea e da capacidade funcional.

A recomendação para as mulheres grávidas e no pós-parto é para que pratiquem 150 minutos de atividade moderada, reduzindo assim o risco de pré-eclâmpsia, de hipertensão gestacional, de diabetes gestacional, do ganho excessivo de peso, de complicações no parto e de depressão no pós-parto.

A prática clínica como médico interno de Medicina Geral e Familiar permite-me afirmar que o excesso de peso, obesidade e a inatividade física são as pandemias silenciosas, que já todos ouvimos falar.

Todos os motivos são válidos para não sermos mais ativos, mas também todos são válidos para o sermos.

Temos a sorte de diariamente podemos fazer a escolha acertada, investir na nossa saúde, mudar a nossa história e procurar uma vida mais saudável.

A escolha é simples: temos de nos mexer!

Seja em que circunstância for, cada movimento conta!

José Miguel Moura

Interno de Formação Especifica 4º ano – Medicina Geral e Familiar

USF Vida Mais

ACeS Cávado II – Gerês/Cabreira

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