Helicóptero ‘Koala’ da Força Aérea destaca-se com salvamentos “cirúrgicos” no Gerês

O helicóptero ‘Koala’, da Força Aérea Portuguesa, tem-se destacado nas últimas semanas com salvamentos “cirúrgicos”, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, tendo resgatado de locais inacessíveis, por exemplo, um homem e uma mulher, em ocasiões distintas. No primeiro caso, os ferimentos eram graves e a vítima já tinha problemas cardíacos.

A tendência, este ano, tem sido o aumento de solicitações para salvamentos em ambiente de montanha, para além das habituais operações marítimas. A atuação é mais rápida e melhor graças à existência de um destacamento permanente, no Aeródromo de Manobras Nº 1, em Ovar, da Esquadra 552 – ‘Zangões’, com a sede na Base Aérea N.º 11, em Beja.

O tenente piloto aviador Pedro Pimenta, que dirigiu a primeira operação, no Gerês, referiu ao ‘Terras do Homem’, “a informação que tínhamos, tratar-se de um homem com problemas cardíacos, encontrando-se numa zona com um difícil acesso, efetivamente numa área onde o helicóptero teve espaço para aterrar e colocar o senhor na maca, porque era impossível chegar uma viatura, só bombeiros estavam lá, mas, claro, todos apeados”.

Da equipa que opera, neste momento, a partir de Maceda, em Ovar, o piloto é o tenente Pedro Pimenta, operador de guincho sargento-ajudante Rui Elias, o recuperador-salvador é o sargento-ajudante Paulo Candeias, sendo mecânico o primeiro-cabo Henrique Freixa, que fica sempre em terra, tratando ainda das questões logísticas do helicóptero. No entanto, as equipas vão rodando, ao final de alguns dias, afinando sempre procedimentos e treinando.

As missões, quer em áreas marítimas, quer em zonas terrestres, nunca são iguais, segundo os militares da Força Aérea Portuguesa, cabendo ao piloto, naturalmente, conduzir o helicóptero sempre em total segurança para executar a missão, coordenando com a tripulação como será, concretamente, a retirada e a entrega da vítima.

O operador de guincho tem de estar em comunicação com o recuperador-salvador, para ver qual o plano de ação concreto, dando simultaneamente indicações permanentes ao piloto, sobre a posição para o helicóptero operar, descendo então o recuperador-salvador, para o salvamento vertical, indo buscar a vítima, que iça depois para o helicóptero, em maca, no caso de se tratar de ferido, sendo depois deixado em terra junto das equipas de bombeiros.

Segundo o sargento-ajudante Rui Elias, as funções de um operador de guincho consistem em ser “os olhos e os ouvidos do piloto”, controlando a proximidade de obstáculos, já que a função do piloto é obviamente focar-se na própria pilotagem, e ao mesmo tempo coordenar como “homem da porta” da aeronave, com o “homem do chão” (recuperador-salvador), garantindo as suas condições de segurança e a da vítima.

O sargento-ajudante Paulo Candeias, como recuperador-salvador, explica a sua missão: “fazer o resgate em si, ir buscar a vítima, por isso é preciso saber de que tipo de vítima se trata e se está, por exemplo, politraumatizada, se tem problemas cardíacos, para percebermos a intervenção a realizar, se é içado na vertical ou então na horizontal, no fundo, é o saber como atuar”.

Ambos os graduados explicaram ao Terras do Homem que, ao contrário das pistas, nos aeroportos e nos aeródromos, para se aterrar e levantar, no caso da montanha em geral e especialmente do Parque Nacional da Peneda-Gerês, há muitos obstáculos a equacionar, que dificulta cada missão, obrigando a um redobrar da atenção permanente a tudo e todos.

Para o primeiro-cabo Henrique Freixa, enquanto mecânico, cabe-lhe especialmente, para além do seu trabalho mais técnico, “logo de manhã e ao fim do dia fazermos uma inspeção à aeronave, verificar se está tudo bem com o aparelho, como abastecê-lo logo à chegada”.

A aeronave, um helicóptero de modelo AW119MKII (Koala’), é operada pela Esquadra 552 – ‘Zangões’, sediada na Base Aérea N.º 11, em Beja, mantendo um destacamento permanente, no Aeródromo de Manobra N.º 1, em Ovar, zona norte do distrito de Aveiro, que acolhe, há vários anos, na vertente do apoio a missões de interesse público, as equipas
da Esquadra 552 da BA11, para busca e salvamento na zona Norte de Portugal.

O local tem servido, sempre que é necessário, de base a meios aéreos dedicados a operações de combate a incêndios florestais e da mesma forma, tem apoiado missões de transporte de equipas médicas de recolha de órgãos destinada a transplantes urgentes também no Norte.

‘Koalas’ com 1.729 missões e 2.500 horas de voo
O AW119MKII ‘Koala’, da Força Aérea Portuguesa, foi oficialmente apresentado no dia 18 de fevereiro de 2019, na Base Aérea N.º11, em Beja, tratando-se de um helicóptero monomotor, que é extremamente versátil, capaz de operar em ambiente noturno, com a utilização de óculos de visão noturna, cumprindo assim um leque alargado de missões, designadamente para instrução básica e avançada de voo, busca e salvamento, evacuação sanitária, patrulhamento, observação e apoio ao combate aos incêndios florestais e rurais.

O ‘Koala’ é equipado com um trem de aterragem, do tipo “patins”, tendo capacidade de instalação de flutuadores para a missão de busca e salvamento sobre ambiente marítimo e para esta missão, em particular, pode ainda ser equipado com guincho e farol de busca, tendo a capacidade de transportar até sete passageiros (além do seu piloto), ou uma maca e cinco passageiros, ou ainda 1.400 quilos, em carga suspensa, dispondo de um moderno guincho com 50 metros de extensão e cuja capacidade limite de içamento é de 204 quilos.

Desde a sua chegada, a Portugal, há cerca de dois aos e meio, todos os ‘Koala’ já executaram 1.729 missões e 2.500 horas de voo, sendo que, só este ano, o destacamento em Ovar, realizou já onze missões: seis de busca e de salvamento, neste caso com três feridos e cinco aeromédicas com um doente cada qual.

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