Histórias e memórias de uma “viagem”

Na passada sexta feira no Centro de Artes e Cultura de Vila Verde, apresentei o livro FUT360L da Pereira à Pedreira. Depois de Braga e Porto, Vila Verde, a terra que me acolheu para lecionar, já lá vão 34 anos. Para concluir o meu quadrilátero de vida, só falta mesmo a apresentação no (meu) GERÊS. A mesma está agendada para 29 de janeiro de 2022. Este livro surgiu também graças a dois jornais regionais que me permitiram desde finais de 2007, quinzenalmente, dar asas à minha imaginação em artigos de opinião. Refiro-me concretamente, ao Terras do Homem e ao Diário do Minho.

O 360, inserido no futebol, é a forma de caraterizar a minha visão panorâmica da modalidade, uma vez que nele escrevi sobre o que via, sentia e vivenciava em diferentes funções, fossem elas de pai, treinador, prospetor, coordenador ou adepto.

O “da Pereira à Pedreira” simboliza também o meu percurso. Pereira é o nome do campo do clube da minha terra – Gerês, onde me iniciei futebolisticamente falando. Pedreira é o meu local de culto.  E estranhei que muita gente não conhecesse o campo com o enquadramento paisagístico mais maravilhoso do país. De referir, no entanto, que o que mais me marcou – da Pereira à Pedreira – foi o percurso pelo 1º de Maio, Ponte, Camélias, Rodovia, Fraião e S. Paio d’Arcos, onde trabalhei no futebol de formação do SC Braga.

Uma outra questão que me é colocada amiúde, após leitura do livro, é sobre o que me dá mais prazer: lecionar ou treinar?

Embora já não esteja inserido no processo de treino desportivo há uns anos, posso dizer que me senti realizado nas duas, que se confundem, uma vez que num e outro caso, há ensino e há aprendizagem. A diferença, com implicações nesta última, poderá estar no empenho daqueles a quem é dirigido o ensino/treino. E aí, pela minha experiência, ensina-se e aprende-se melhor no treino porque da parte dos atletas há uma muito maior recetividade do que da parte dos alunos. A este propósito, quando contactei líderes de associações desportivas do concelho para os convidar a estarem hoje aqui, coincidentemente, alguns assumiram que eram meus ex-alunos de há 10, 15, 20, 25 anos, e ouvi o que não queria: “Foi meu professor e devia ter-nos deixado jogar mais vezes futebol. Ou “foi meu professor e as aulas de dança podiam ter sido substituídas por futebol”. Não se perdeu tudo, pensei. Apesar da falta de futebol (ou talvez por isso) decidiram ser responsáveis por associações desportivas.

Mas, porque haverá mais recetividade dos atletas do que dos alunos? Simples. Os atletas estão a fazer o que realmente gostam. Os alunos, muitas vezes estão a fazer coisas que não gostam.

Concluo com um agradecimento global e sentido a quem contribuiu para que esta apresentação pudesse ter ocorrido aqui e nestes moldes. Gostaria de agradecer também a todos os que se dignaram brindar-me com a sua presença e aos muitos outros, ausentes fisicamente, mas que através de mensagens me levaram a perceber que estavam lá, também.

Deixo-vos, como terminei a locução, com uma frase de Bob Dylan, na qual me revejo diariamente: “Um homem é um sucesso quando salta da cama de manhã e vai dormir à noite e, nesse meio tempo faz aquilo que gosta”.

Uso-a como lema de vida e dou-a como conselho aos alunos que seguem cursos universitários.

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