‘Orlando’ estreia-se no Centro Cultural Vila Flor a 4 de dezembro

Com encenação de Albano Jerónimo e texto de Cláudia Lucas Chéu, “Orlando” estreia-se no próximo sábado, 4 de dezembro, às 19h30, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Onze atores, vinte personagens em cena, um drama cénico em prólogo e três atos a partir da obra homónima de Virginia Woolf. Assim se apresenta a mais recente produção do Teatro Nacional 21.

Nos dias que antecedem a estreia, e indo de encontro à aposta que a companhia – fundada em 2011 pela mão de ambos os criadores referidos – tem feito num repertório humanista, procurando a reflexão, o desafio e a provocação no espetador contemporâneo, será também apresentado um programa paralelo que integra um documentário, a apresentação dos resultados de oficinas realizadas com alunos da Universidade do Minho e um vox-pop no espaço público de Guimarães.

Vivemos tempos bizarros. Numa época que devia ser dada à tolerância e aceitação, passamos por um período de violência muitas vezes centrado na discriminação. Contudo, o pensamento que se opõe ao poder tem mostrado resiliência e força de combate. O texto de Cláudia Lucas Chéu parte de Orlando de Virginia Woolf, e constrói uma narrativa que misturará a ficção de Woolf com uma tentativa de refletirmos sobre as questões de género e sobre as ondas de violência que estas originam. Refletir sobre o facto de o género não ser uma essência nem uma construção social, mas uma produção do poder. E realizar uma crítica das categorias de identidade e, especificamente, da identidade enquanto fundamento da ação política.

A encenação assinada por Albano Jerónimo remete para uma perversidade polimorfa sonhada, quer pela recusa, quer na paixão angustiada, quer na transformação da beleza, quer nas representações singulares da fisicalidade corpórea. “Orlando” é uma biografia ficcionada sobre a corrente da consciência. No palco do tempo, “Orlando” será o nosso nobre, sofisticado e sensível protagonista neste novo reino, nesta nova sociedade e neste novo mundo.

Um elenco alargado vive a travessia que este espetáculo propõe, com André Tecedeiro, Aurora Pinho, Cláudia Lucas Chéu, Diego Bragà, Eduardo Madeira, Luís Puto, Madalena Massano, Maria Ladeira, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Solange Freitas a darem corpo à interpretação deste “Orlando”.

Assim, a partir do seu novo espetáculo e fazendo jus ao seu histórico de trabalho e registo que contribui para a inclusão, a TN21 propõe-se a exercitar, através de uma ação paralela ao espetáculo, o conceito subjacente ao texto “Orlando”: práticas de travessia. A travessia é uma alusão metafórica que posiciona esta iniciativa na travessia por temas não consensuais, por barreiras morais, ao mesmo tempo que se disponibiliza para realizar uma travessia conjunta com a comunidade envolvente, retirando-lhes o papel de meros espectadores e envolvendo-os no processo, para que todos possamos experienciar a travessia coletiva nas reflexões e aprendizagens deste projeto.

A diversidade e complexidade das temáticas envolvidas neste projeto suscitaram a abordagem a tópicos como a temática de género (incidindo na transexualidade e no transgénero), a deficiência (física ou mental), o que pode ser entendido como uma violência e um posicionamento num limite muito ténue entre um trabalho para a inclusão e um freak show de bizarrice, sendo por isso mesmo necessário contextualizar e balizar bem a noção de comunidade envolvente e as ferramentas utilizadas, de forma a garantir um bom acolhimento e, sobretudo, resultados de reflexão capazes de desafiar, sem violentar.

Neste caminho percorrido pela TN21, resultam vários objetos finais de um programa paralelo deste projeto, a serem revelados durante a semana que antecede a estreia do espetáculo.

No dia 30 novembro, às 21h00, irá ser apresentado o documentário intitulado “Travessia”, o qual reúne diversos depoimentos de pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIA+, sendo focadas situações que algumas destas pessoas têm vivido, no sentido de clarificar uma realidade que ainda é, para muitos, desconhecida.

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