Terras de Bouro

Investigador afirma que lobos podem ajudar a controlar javalis

Um investigador universitário que se dedica nos últimos anos ao estudo da coexistência entre o lobo-ibérico e as populações locais, Dário Hipólito, considera que a presença do lobo poderá mesmo ajudar a controlar os estragos causados pelos javalis nas plantações.

Dário Hipólito, investigador e aluno de doutoramento da Universidade de Aveiro, com a atividade veterinária desenvolvida na Croácia, estuda, nos últimos anos, o comportamento do lobo-ibérico e os conflitos com as pessoas, centrando a sua ação na região de Lafões, na zona hidrográfica do rio Vouga, para perceber melhor quais são os problemas causados pela presença deste animal naquela zona, relacionados principalmente com ataques a gado e tentando desmontar mitos em torno do lobo, ação que alargará às outras regiões do país.

“O principal problema é o ataque ao gado doméstico, sendo que não há registos atuais da quantidade de ataques ou de animais que são vítimas, porque as pessoas têm de reportar os danos na plataforma, mas em meios mais rurais o acesso às tecnologias acaba por ser mais difícil”, afirma Dário Hipólito, em declarações ao Terras do Homem sobre o assunto.

Aquele investigador refere que todos os dados recolhidos no terreno servirão para “tentar arranjar uma estratégia, seja local ou mais regional, para trabalhar numa solução que ajude as pessoas”, destacando que “muitas das vezes, os maiores problemas não são causados pelos lobos, mas sim animais, como javalis, capazes de destruir colheitas com a sua ação”.

“E nesses casos o lobo até se pode converter num apoio à atividade agrícola, uma vez que se os rebanhos dos pastores estiverem bem protegidos, o lobo acabará por ajudar, ao fazer uma pressão maior sobre as populações de javali, podendo no futuro diminuir o impacto das manadas deste animal na agricultura e na própria criação de gado”, diz Dário Hipólito.

Sobre as ameaças de contacto direto com os seres humanos, Dário Hipólito considera que “os lobos têm medo e fogem, por isso, não há risco das pessoas serem atacadas por lobos, o que existem é muitas histórias, para crianças, mas não passam de mitos que passaram de geração em geração e muitas das vezes para manter as crianças junto das residências”.

A população de lobos-ibéricos em Portugal encontra-se nas regiões a norte e a sul do rio Douro e está em curso desde 2019 um censo cujos resultados vão ser conhecidos ao longo deste ano e segundo o último Censo, de 2002-2003, havia cerca de 300 lobos-ibéricos e 60 alcateias em Portugal, sendo os lobos um animal que precisa de um habitat com grande extensão, que tem diminuído ao longo dos tempos face ao aumento das áreas urbanas, da rede de infraestruturas e igualmente à intensificação da atividade agrícola e de pastorícia.

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