Mário Nogueira ao explicar a carreira docente recorrendo a fruta de excelência, mas simultaneamente maltratada pelos sucessivos governos (agricultores desleixados), pode ter assustado muitos, dos poucos interessados em ingressar na profissão. Mas, assim como na guerra há quem esteja disposto a sacrificar-se na defesa de um ideal, nos alunos que vou encontrando e outros (ex-alunos) que vi recentemente a festejar conclusão de diferentes cursos, há os que pretendem enveredar pela carreira docente. Também são poucos, mas os que conheço, são bons. E é a esses putativos candidatos que dedico estas linhas, hoje.
Sabendo que o ato de ensinar só pode ser validado se do outro lado houver quem queira, ou possa aprender, acreditem que uma relação de profunda empatia com os alunos, será meio caminho andado para que o sucesso surja. E estou tanto mais à vontade para o afirmar porque, enquanto aluno, percebi que aqueles professores de quem me sentia mais próximo, eram os que não queria defraudar e em cujas disciplinas mais me empenhava.
É consensual e por todos assumido e percebido, que para colher é necessário semear, estejamos a falar da “fruta”, do desporto e/ou do ensino. Em escolas com cada vez mais alunos subsidiados, esta capacidade de gerir emoções é fundamental. O verdadeiro professor, tem esse dom, preocupa-se com a semente e com a colheita, valorizando, preservando e enaltecendo competências através de um controlo emocional assinalável, bem como de uma capacidade empática e de cooperação. Ele sabe que ensinar implica relacionamento pessoal, exemplificar, corrigir, incentivar, tudo isto, olhos nos olhos e sem subterfúgios, tentando melhorar diferentes competências que todos podem desenvolver/adquirir. De entre estas, podemos eleger a determinação, o rigor, a solidariedade e a autorresponsabilização. Em suma, com os nossos alunos, devemos ser humanos na plenitude, partilhando e comungando alegrias, dores e afetos, sem distanciamentos, acreditando estar a contribuir para a criação de alunos competentes e cidadãos exemplares.
O professor Jorge Bento que tive como docente na FADEUP sempre afirmou que a aula é o ‘lugar do encontro’, apostada em remediar os desencontros que enxameiam a vida e os dias. É nesse espaço que encontramos o verdadeiro local de aprendizagens da matéria e… para a vida. Incentivando os alunos a serem melhores, a aceitar os outros como são, tentando também, entre muitas outras valências, que assumam na plenitude a responsabilidade de pertencer a um grupo-turma, serem disciplinados e concentrados, possuírem uma atitude de persistência, perseverança e predisposição para trabalhar afincadamente, com respeito pleno pela comunidade educativa.
A paciência e prudência – diz-se – são virtudes pouco na moda, mas que fazem muita falta mesmo na sua forma mais simples – o bom senso!”. Aos futuros colegas, peço que o tragam em abundância, também, pois independentemente das desconsiderações permanentes das chefias, os alunos merecem (e devem ter) o melhor de cada um de nós.
Carlos Mangas [Professor de Educação Física]
