O caso de um homem que foi assassinado com um engenho explosivo, dentro do seu carro, em Parada de Gatim, Vila Verde, decorridos 25 anos, continua envolto em mistério.
O processo já foi arquivado e está prescrito há dez anos, pelo que, mesmo que se descubra quem é que esteve na origem deste caso ou haja uma confissão voluntária, será sempre um crime sem castigo. No entanto, ainda existem familiares naquela freguesia vilaverdense que desejam ver tudo esclarecido.
A população de Parada de Gatim não esquece o crime mais grave de que há memória na terra: foi na noite de 2 de fevereiro de 1997, um domingo à noite, quando um homem que saía da casa da irmã ao ligar o automóvel de repente foi pelo ar. Ouviu-se um estrondo, mas as chamas consumiram rapidamente o homem e o carro sem que ficasse alguém para contar tal estória e respondesse às perguntas: quem cometeu o crime e porquê?

João Manuel de Sousa Fernandes tinha 39 anos e acabava de reconciliar-se com a mulher, vivia com ela e os dois filhos, numa moderna urbanização da freguesia de São Vicente, na cidade de Braga. Tudo parecia correr de feição, porque “João do Gaio” (como era conhecido na sua terra) trabalhava na construção da A-3, no lanço de Pedras Finas, em Ponte de Lima, obra em que, curiosamente, foi utilizado ao longos dos meses muita dinamite, a matéria prima que serviu para o assassínio. A investigação diz que a dinamite foi transportada numa saca com cinco quilos e que terá sido adicionado um cordão detonador.
Cunhado não desiste da verdade
Joaquim Barros Grilo, cunhado da vítima, era o seu confidente, tendo sido por isso quem desde o início do processo acompanhou as autoridades policiais, GNR de Prado e Polícia Judiciária do Norte, sediada no Porto, que investigou este caso através da Secção Regional de Combate ao Terrorismo e ao Banditismo.
Ainda hoje não esconde a sua revolta, por o processo não ter sido esclarecido, mesmo após ter sido arquivado, no Tribunal Judicial de Vila Verde. Entretanto, em fevereiro de 2012 prescreveu. A família não desiste de saber a verdade, segundo confidenciou o familiar da vítima, por estes dias, em conversa com o ‘Terras do Homem’.
O cunhado afirma “ter havido mais que um cenário” que poderia levar ao esclarecimento do caso, mas recusa dizer quais os cenários, limitando-se a dizer que “a Polícia Judiciária do Porto está dentro de tudo, eu contei-lhes e eles fizeram algumas diligências, inclusivamente ouviram alguns suspeitos da morte do João, mas eu não podia fazer mais, porque não sou polícia”.
“A Polícia Judiciária, vinda do Porto chegou a fazer acareações entre algumas pessoas, quer no Posto da GNR de Prado, quer na Polícia Judiciária de Braga, mas só sei que não deu em nada, nem sequer quando interrogaram um homem que primeiro dizia uma coisa e depois já dizia outra coisa no sentido contrário”, salienta Joaquim Barros Grilo, que diz “estar desiludido com a nossa justiça”.
“Isto são as leis que nós temos, mas têm que ser revistas, assim como esse problema das prescrições e o próprio funcionamento dos tribunais, pois, hoje em dia, todo o mundo pode matar e pode esfolar, que nada lhe acontece. Por isso digo que a Constituição da República Portuguesa tem de ser toda desfeita, construída de novo”, diz Joaquim Grilo.
Os últimos momentos da vítima
A irmã recorda a noite fatídica, começando por contar o que se passou a partir do fim do dia desse domingo, a 2 de fevereiro de 1997.

Isolina de Sousa Fernandes contou que “o João veio cá trazer comida para dar aos cães de caça dele, de quem eu tomava conta, depois foi a Moure com o meu marido, por causa de uma casa que ele queria construir aqui na zona e quando regressaram como eu tinha matado um porco, convidei-o para comer connosco, ele ficou aqui jantar”.
A tragédia ocorreu depois do jantar, já que, ainda segundo a irmã da vítima, “depois ele saiu da porta para fora e eu ouvi aquele estrondo todo, vim para fora e já não pude fazer nada!”, acrescentando que quanto a possíveis motivos do crime, diz nada saber “porque o meu irmão era muito reservado e o pouco que dizia era ao meu marido, mas mesmo assim não foi suficiente para se saber”.
“PJ não fez um bom trabalho”, diz cunhado da vítima
Joaquim Barros Grilo, cunhado da vítima mortal, disse ao ‘Terras do Homem’ que “a PJ não fez um bom trabalho, pois deixou este processo a meio, precisamente quando surgiu uma nova pista que poderia ter resolvido tudo. Por isso, fiquei muito desiludido com a justiça, não tendo sido feito tudo aquilo que estava ao alcance da Polícia Judiciária”.
O cunhado da vítima afirma “haver mais do que uma hipótese” em termos de motivação do crime e que poderia levar ao esclarecimento do caso, mas recusa dizer quais são tais cenários, limitando-se a dizer que “a Polícia Judiciária do Porto está dentro de tudo, eu contei-lhes tudo e eles fizeram algumas diligências, inclusivamente ouviram alguns suspeitos da morte do nosso João”.
“A Polícia Judiciária do Porto chegou a fazer acareações entre algumas pessoas, quer no Posto da GNR de Prado, quer na Polícia Judiciária de Braga, mas não deu em nada, nem sequer quando interrogaram um homem que primeiro dizia uma coisa e depois já dizia outra coisa completamente em sentido contrário”, acrescenta Joaquim Barros Grilo.
“Os inspetores da Polícia Judiciária a mim só me diziam que não havia dinheiro para as ajudas de custo, pelo que não poderiam andar sempre de um lado para o outro, porque eram muitas despesas”, diz Joaquim Barros Grilo, acrescentado que “na verdade nesse tempo nem sequer havia cortes orçamentais”.
