Apesar de uma melhoria face há seis anos, mais de metade dos utentes diz não confiar no diagnóstico do seu médico de família, segundo revela a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco).
A Deco estudou a relação entre o médico de família e o utente, na perspetiva do último, e comparou os dados a um estudo anterior, realizado em 2016. Apesar de destacar as melhorias, a associação refere que “a relação dos utentes com o médico de família ainda precisa de ser aprofundada” e que “os pacientes que se sentem totalmente compreendidos e envolvidos nas decisões de tratamento continuam em minoria”.
A questão a obter a maior percentagem foi “sou frontal/transparente com o meu médico de família”, com uma percentagem de 63%. Este valor quase duplicou de 2016 para 2021, uma vez que a percentagem há seis anos tinha sido de 34%.
Ainda que com melhoria, apenas 43% dos utentes dizem confiar no diagnóstico do médico (19% em 2016) e 47% seguem à risca o tratamento recomendado (20% em 2016).
“Grande parte dos inquiridos dizem seguir as recomendações do médico, com destaque para os utentes a partir dos 45 anos e os que não têm dificuldades económicas”, destaca a Deco.
“No último inquérito, participaram 2164 utentes com médico de família, entre 25 e 84 anos. Metade revelou ter o mesmo médico há mais de dez anos, e 10% há menos de um. Os que estão com o profissional há mais tempo tendem a confiar mais nas suas avaliações e a considerá-lo muito bom no que faz”, acrescenta.
Por outro lado, os doentes que confessaram estar a tomar automedicação e/ou a fazer terapias alternativas diminuíram para 48% e 31%, respetivamente. Em 2016 estas percentagens eram de 58% e 39%, respetivamente.
“No último inquérito, mais de metade confessaram que, no caso de fazerem terapias alternativas, raramente ou nunca informavam o médico. O mesmo comportamento revelaram 37% dos inquiridos relativamente à automedicação. Estas duas informações são essenciais para o bom diagnóstico e a prescrição do tratamento, até porque, por exemplo, pode haver interações entre medicamentos – ou destes com outros produtos – que causam efeitos indesejáveis”, sublinha a associação.
Destaque ainda para a diminuição da percentagem de utentes que pesquisa sobre o problema na Internet- são 14% e eram 18%.
“Os mais novos (até aos 44 anos) e os que têm um nível de educação médio ou elevado são os que mais procuram informação na Internet sobre o problema de saúde, antes da consulta, e os que mais questionam as recomendações recebidas. Esta faixa etária, tal como os menos abastados, também revela confiança mais baixa no diagnóstico do médico”, indica.
