Uma obra ilegal num terreno junto à Misericórdia de Amare está a dar uma ‘dor de cabeça’ aos moradores da Rua da Santa Casa da Misericórdia e da Rua da Senhora do Ó. Em causa, os trabalhos de estacamento efetuados e que, alegadamente, terão provocados fissuras “evidentes” nas casas. Sem licença para construção, a obra foi, entretanto, embargada.
“Pareciam autênticos tremores de terra”, é a descrição feita pelos moradores nos primeiros dias de trabalhos, onde “foram apanhados de surpresa”. Foram feitas queixas na GNR e na câmara municipal. E é aqui que criticam a postura dos fiscais: “apareceram de carro, deram a volta e nem do carro saíram”, acusam, “nem connosco falaram!”.
Numa reunião com o presidente da câmara, e muitos mails trocados, conseguiram que a equipa de fiscalização municipal voltasse ao local: “estiveram nas nossas casas, tiraram fotografias, dezenas em cada habitação”, mas o relatório final surpreendeu os moradores: para além, de ter sido igual para todos eles, continha uma expressão que não aceitam: “maioritariamente, as fissuras existentes são antigas”.
Obra embargada
Entretanto, tomando conhecimento da situação e percebendo que a obra que estava a ser realizada não estava licenciada, o presidente da câmara de Amares avançou com o embargo dos trabalhos “por falta de licenciamento para construção”.
O assunto foi trazido a uma reunião do executivo pelos próprios moradores e onde, Manuel Moreira, confirmou o embargo e disse ter tomado todas as diligências pedidas pelos moradores. A verdade é que, para além das obras, o que motivou a indignação foi o relatório da fiscalização camarária.
“Não entendemos como todos os relatórios são iguais e a dizerem que as fissuras são antigas, quando algumas delas como se comprova, facilmente, são de agora”, acrescentando: “disseram à nossa frente que há fissuras de agora, mas depois no relatório nada dizem sobre isso”.

Segundo os moradores, “não queremos que a obra pare, desde que cumpra com a legalidade, mas queremos que quem de direito assuma as suas ações”, bem como “não queremos ir para a via judicial, mas se o tivermos que fazer irão ser apuradas as responsabilidades da empresa, do empreiteiro e da autarquia”.
Vistoria externa
A discussão na reunião de câmara envolveu todos os vereadores e a solução encontrada, sugerida pelos moradores e aceite por todos, passa pela realização de uma vistoria externa, realizada pelo departamento de Engenharia da Universidade do Minho.
“Enquanto não tivermos as conclusões deste relatório, a obra irá continuar embargada”, garantiu o presidente da câmara, lembrando que “estamos numa época de férias e pode ser que as coisas demorem mais um pouco”. Os serviços municipais já encetaram os contatos exploratórios com a UMinho para a realização da vistoria.
