Curiosidades

Há uma ‘linguagem’ própria para comunicar com camelos e já é património

Conhecida como ‘Alheda’a’, a expressão oral foi inscrita na lista do património cultural intangível da UNESCO em 2022, destacando a ligação tradicional entre camelos e habitantes da Península Arábica.

A Alheda’a é uma expressão oral polifónica acompanhada de gestos ou instrumentos musicais tocados que os pastores de camelos da Arábia Saudita usam para comunicarem com o animal.

A expressão rítmica, inspirada na poesia, e usada pelos ‘encantadores’ de camelos para acalmar e treinar camelos, usa um reportório único de sons a que os camelos se habituam e é utilizada para direcionar os rebanhos pelo deserto até um local com alimentos, água e que sirva para fazer a ordenha.

A ‘linguagem’, conhecida como Alheda’a, foi inscrita na lista do património cultural intangível da UNESCO em 2022, destacando a ligação tradicional entre camelos e habitantes da Península Arábica.

Um hábil pastor de camelos pode usar a sua voz sozinho para acalmar um animal, fazê-lo ajoelhar-se e até mesmo sinalizar uma mudança de direção nas areias do deserto, referiu a UNESCO, acrescentando que “os pastores treinam os camelos para reconhecerem a diferença entre a direita e a esquerda, para abrirem a boca quando lhes é pedido, e para se ajoelharem para serem montados”.

“Há uma linguagem especial entre o proprietário de um camelo e o seu camelo”, explicou Marri, de 36 anos, um pastor que possui 100 camelos, pastando 150 quilómetros a nordeste da capital Riade, na Arábia Saudita, citado pela agência France Press esta quinta-feira.

De acordo com o pastor, “os camelos conhecem o tom da voz do dono e respondem-lhe imediatamente, e se alguém os chamar, não lhe responderão”.

Denominados os ‘navios do deserto’, os camelos são há muitos séculos um meio de transporte crucial na Arábia Saudita, conferindo estatuto aos proprietários e alimentando a ascensão de uma lucrativa indústria de criação de camelos.

O objetivo de integrar a lista da UNESCO é “proteger” Alheda’a e “proporcionar uma oportunidade para o seu desenvolvimento”, rematou.

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