Vila Verde

Henrique Monteiro deu conferência em Vila Verde

Quase meio século após a revolução do 25 de abril, continuamos a ter famílias que trabalham imenso, mas são pobres e Portugal não premeia quem se esforça, assegurou Henrique Monteiro, na Biblioteca Machado Vilela, em Vila Verde.

O antigo diretor do Expresso, da revista Exame e do Courrier Internacional, falava no início da série Conversas de abril, dinamizada pela Câmara Municipal de Vila Verde e pela EPATV — Escola Profissional Amar Terra Verde —, no âmbito do programa Aqui há cultura que se prolonga até ao fim deste ano.

Henrique Monteiro recordou os três D da Revolução dos Cravos — Democratizar, Descolonizar e Desenvolver — admitindo que os primeiros dois foram mais ou menos concretizados, enquanto o terceiro está longe de ser: “o trabalho é muito mal compensado e ninguém que trabalha pode ser pobre, mas Portugal continua a ter famílias que trabalham imenso e são pobres”.

“O problema maior de Portugal é saber como conseguimos pagar a dívida externa e aumentar os salários” e o comentador de política na SIC Notícias e da Rádio Renascença sugere “a necessidade de reforçar os capitais próprios das empresas, sendo uma das medidas a redução do IRC para que as empresas possam reinvestir”.

“Sabendo que 96 por cento das nossas empresas são Pequenas e Médias, temos de dar incentivos ao seu crescimento sem esquecer a urgência de reformar o sistema político e partidário que deve recentrar o Parlamento”.

Henrique Monteiro não ignorou a urgência de reforma do sistema judicial, o reforço da imparcialidade das Entidades Reguladoras, a regulação dos Lobbies e a aposta no poder local. “Em Portugal, as autarquias são responsáveis por 5,6 por cento das despesas do PIB enquanto a média europeia atinge os 15 por cento.
Trata-se de temas que não são levados a sério num país que se diverte com a espuma dos dias ao nível das conversas de café no pior sentido”.

Após a intervenção de Henrique Monteiro, o moderador Arnaldo Sousa lembrou que a abstenção eleitoral na Europa atinge os 50 por cento e pode ser que o problema maior não esteja aí mas na falta de esperança.

Seguiu-se um participado debate com os ouvintes que enchiam a sala da Biblioteca Machado Vilela, versando temas como a crise da Justiça, a iliteracia ou ignorância dos empresários, na saúde, nos direitos e na comunicação social.

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